Expedição Roncador - Xingu

Para revitalizar as ações do governo em favor dos povos indígenas, o presidente Getúlio Vargas organizou, dentro do programa Marcha para o Oeste, a Expedição Roncador–Xingu. Além de realizar o reconhecimento oficial das áreas ocupadas pelos povos indígenas, a expedição tinha como objetivo mapear a região central do Brasil e abrir caminhos que a ligassem ao restante do País. A expedição foi coordenada pela Fundação Brasil Central (FBC), criada também em 1943. Seu nome foi dado em referência à Serra do Roncador, divisor de águas entre o rio das Mortes (Bacia do Araguaia) e o rio Xingu, no leste do Mato Grosso e, sendo também uma expedição que consolidava as linhas de comunicação, povoamento e colonização das áreas percorridas.

Desde o início de seus trabalhos, os irmãos Villas Bôas, que chefiavam a expedição, discutiam a execução do programa com Rondon, na época presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), criado pelo Decreto n.º 1.794, de 22 de novembro de 1939. Rondon teve que negociar com o interventor de Mato Grosso a defesa dos índios que viviam no Estado, já que a Marcha para o Oeste permitia a liberação de terras indígenas para a ocupação de colonos e fazendeiros da região.

Um dos mais importantes resultados da expedição foi a criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961. Toda a documentação dos 24 anos da Fundação e da Expedição foi destruída em 1979, quando criaram a Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste) para substituir a FBC. Os Villas Boas desabafaram no livro A Marcha para o Oeste (VILLAS BOAS:1994:60 ): “Há alguém que ignore que a história se faz calcada em documentos?”.