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36 O 21 de Março é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, concedido pela Organização das Nações Unidas — ONU — em 1976. A data relembra o massacre que ocorreu na cidade de Shaperville, na África do Sul, em 1960, durante o regime do apartheid. Os manifestantes negros protestavam — pacificamente — contra o uso do passe — um documento que “autorizava” sua circulação em determinados espaços de brancos. A mobilização foi surpreendida por forças nacionais que — covardemente — atiraram em direção à população, matando 69 pessoas e ferindo 186. Este genocídio ficou conhecido como o Massacre de Shaperville.

“O terror nosso de cada dia”. Jornal Raça e Classe.  Ano 1, nº 2, agosto/setembro,  1987<span>Acervo Lélia Gonzalez</span>

Mulher negra (1981)

O artigo traça um panorama da situação da mulher negra no mercado de trabalho, na época, com ênfase na remuneração. Em ocupações de nível superior, as mulheres negras estavam em último lugar, com um salário 48% menor, comparado ao das mulheres brancas. Em ocupações de nível médio — onde as mulheres estavam em maior número — a situação não era muito diferente para trabalhadoras negras, as quais ganhavam 24% a menos do que as brancas. Além disso, apenas 40% das mulheres negras possuíam vínculo empregatício, ou seja, carteira assinada. Com base em dados estatísticos, Lélia analisa as possíveis causas para a subalternização da mulher negra no âmbito do trabalho.

E a trabalhadora negra cumé que fica? (1982)

O lugar da mulher negra na força de trabalho foi o tema deste artigo em que Lélia, discute o critério de “boa aparência” exigido nos anúncios de emprego, em especial para cargos que demandam interação e contato com o público. Como diz o ditado popular “para bom entendedor, meia palavra basta”. Lélia afirmava que esse critério denotava o racismo velado de nossa sociedade e que “boa aparência” devia ser compreendido como “negra não serve’”.

Jornal Mulherio, janeiro/fevereiro, 1982<span>Acervo Lélia Gonzalez</span>

De Palmares às escolas de samba, tamos aí (1982)

Neste artigo, Lélia denuncia a invisibilidade histórica a qual a população negra foi submetida ao longo dos anos, em especial a mulher negra. Segundo ela: “(...) estamos cansados de saber que nem na escola, nem nos livros onde mandam a gente estudar, não se fala da efetiva contribuição das classes populares, da mulher, do negro e do índio na nossa formação histórica e cultural (...)”. Lélia resgata personagens centrais da nossa história que, não só resistiram heroicamente ao sistema escravocrata, como também participaram ativamente da construção do país.

“Lélia fala de Lélia”. Revista Estudos Feministas. Nº 2, 1994<span>Acervo Lélia Gonzalez</span>

Beleza negra, ou: ora-yê-yê-ô! (1982)

Ora-yê-yê-ô! É uma saudação a Oxum — orixá feminino da água doce e da beleza. Neste artigo, Lélia narra como surgiu a idéia para realização da Noite da Beleza Negra — um concurso de estética criado pelo bloco afro de Salvador Ilê Aiyê. A proposta didática do concurso é a valorização da beleza da mulher negra, aliada ao carisma e à simpatia. Ao contrário dos tradicionais concursos de miss, os atributos físicos das candidatas não estão em evidência, mas, sim, sua estética marcadamente africana, as roupas coloridas e o penteado trançado — laços que unem Brasil & África. Segundo Lélia: “a Noite da Beleza Negra é um ato de descolonização cultural”.

A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social (1988)

Neste artigo, Lélia alerta para o perigo de determinadas posturas ideológicas dentro do feminismo negro, uma vez que descartam qualquer possibilidade de diálogo e atrofiam a elaboração de uma agenda política mais ampla. Com linguagem acadêmica, ressalta que a militância deve estar comprometida com um projeto de transformação social e com as distintas demandas das mulheres negras. Segundo ela: “Se estamos comprometidas com um projeto de transformação social, não podemos ser coniventes com posturas ideológicas de exclusão, que só privilegiam um aspecto da realidade por nós vivida”.

As amefricanas do Brasil e sua militância. Jornal Maioria Falante. Ano 2, n° 7 , maio/junho, 1988<span>Acervo Lélia Gonzalez</span>

As amefricanas do Brasil e sua militância (1988)

A categoria “amefricanidade” foi criada por Lélia Gonzalez como nomeação de todos os descendentes dos(as) africanos(as) que não só foram trazidos pelo tráfico negreiro, como daqueles/as que chegaram à América antes de seu “descobrimento” por Colombo. Neste texto, a autora destaca o papel fundamental das mulheres negras, ao longo desse processo histórico, como participantes ativas dos movimentos de resistência e de libertação.

Yialodê Egbè Eleyè (1988)

Este é o título do prefácio escrito por Lélia para a obra poética “Eu, mulher negra, resisto” de Alzira Rufino, fundadora e principal porta voz da Casa de Cultura da Mulher Negra (CNMN/Santos). Lélia se identifica com os versos e estrofes da autora. A força de seus poemas a fizeram relembrar a resistência de Aqualtune, Dandara, Luiza Mahin, Tia Ciata e outras tantas guerreiras, que lutaram heroicamente, ao longo da história, contra o racismo e a opressão.

Lélia fala de Lélia (1994)

No ano de seu falecimento, a Revista Estudos Feministas publicou um artigo autobiográfico em que Lélia relata suas origens, sua vinda para o Rio de Janeiro com a família, sua relação com a mãe, sua entrada na academia e na militância, dentre outros fatos marcantes. Com uma linguagem híbrida, ora acadêmica ora coloquial, Lélia aborda as diferenças entre os movimentos negros no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

Carta a Chacrinha — Alô Alô Velho Guerreiro Aquele abraço!

Nesta carta, ao apresentador de televisão Abelardo Barbosa — conhecido como Chacrinha —, Lélia o parabeniza por ter concedido um depoimento tão contundente no programa de rádio da locutora Cidinha Campos. Por ocasião do dia 21 de março,36 algumas personalidades foram entrevistadas, dentre elas Chacrinha. Em “alto e bom som” ele afirma, em rede nacional,que havia discriminação racial no país, em especial na televisão.