Prezado Sérgio Cabral, há mais de 50 anos não tenho feito outra coisa na vida senão dar entrevistas: em verso, em crônica, em carta, em papo. O que penso, o que sinto, o que imagino, o que me dói, me alegra, me aborrece, tudo está dito e contado por este autocontador incorrigível. E você ainda quer que eu repita o repeteco, bicho? [...]

O Pasquim, junho de 1971.

Muito está dito nos versos, nas crônicas e nas cartas de Drummond. No entanto, as entrevistas concedidas pelo escritor são muito mais do que “repetecos”. Nelas, há reflexões a respeito da biografia de Carlos Drummond de Andrade, da literatura e também da história brasileira no século XX. Ao longo das décadas, os depoimentos de Carlos ajudam a definir as mudanças e as permanências nas concepções do escritor sobre a literatura e a vida. Permitem também entrever as nuances na dicção de um autor em constante movimento. Aqui há uma amostra da riqueza das declarações de Drummond a respeito do que pensa, imagina, lhe dói e lhe importa.