As roupas de Rui Barbosa

"Vestia-se bem, sobriamente e sem os exageros do tempo e da moda. Sem faceirices nem vaidades, foi um homem irrepreensivelmente limpo, que, mesmo em casa, na intimidade, se apresentava impecável, de maneira que pudesse receber quem quer que fosse e a qualquer hora. Aí, preferia calças brancas de linho ou brim liso, ou em fantasia, e paletó da mesma fazenda ou de lã escura, nos dias de frio. Fora de casa, preferia sobrecasacas e fraques de tons cinza claro ou escuro, ou ainda azul-marinho, de fazendas diferentes; coletes, camisas de peito duro, punhos e colarinhos postiços engomados, gravatas brancas de laço horizontal, ou coloridas. Suas roupas eram feitas pela Casa Raunier, ou pelo Brandão, um alfaiate português. Quando veraneava em Petrópolis ou em Friburgo, saía à rua com um fraque de linho. Calçava botinas pretas ou marrons inteiriças de elástico, Clark, no 36; chapéus de feltro cinzento, mole, de abas reviradas, ou de Chile, com debrum e fita quase branca, tamanho 61. Meias só de algodão finíssimo. Camisas, roupas de baixo, lenços, da Torre Eiffel, tudo muito simples, mas da melhor qualidade. Nada de jóias, a não ser a aliança na mão esquerda, o relógio de ouro pendente do colete, em cuja cadeia havia um medalhão com o retrato de D. Maria Augusta. De ouro, também, os botões da camisa e dos punhos. O anel de grau somente exibia em banquetes e cerimônias oficiais. Usava sempre óculos ou pince-nez. Rui raramente portava bengala; pasta, quando havia necessidade; guarda-sol de cabo de junco; guarda-chuva de castão de ouro e um livro, para ler no bonde ou na carruagem, desde quando passou a usá-la." Rejane M. M. A. Magalhães. Rui Barbosa na Vila Maria Augusta. .




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