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A memória de Rui Barbosa
"Rui era dotado de uma memória privilegiada, acrescida de uma curiosidade
intelectual insaciável. [...] Gradativamente, os hábitos da leitura e
da escrita foram se incorporando a sua vida, de tal maneira que mesmo
as horas de lazer eram dedicadas aos livros. [...] Anotava e assinalava
verbetes e assuntos, fixava idéias e frases, elaborava bibliografias,
tudo que lhe interessasse e de que um dia viesse a precisar. Esse hábito,
ele o desenvolveu ao longo da vida; ajudou a exercitar sua memória e duplicou
sua capacidade de trabalho. [...] Anotava tudo o que lia, usando a língua
do texto da obra, fosse francês, latim, inglês, italiano ou espanhol.
Chegou a ler página por página da primeira edição do dicionário de Cândido
de Figueiredo, anotando-o e acrescentando-lhe novos vocábulos. Também
os dicionários de Morais e Aulete foram integralmente lidos e anotados.
Seus apontamentos de leitura ele os guardava cuidadosamente. Consciente
do significado do seu papel no panorama político e jurídico, cuidou de
preservar para a história roteiros de discursos, rascunhos de conferências,
pareceres, artigos de jornal e documentos diversos." Rejane M. M. A. Magalhães.
Rui Barbosa na Vila Maria Augusta.
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