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Leituras de lazer de Rui Barbosa
"Rui Barbosa era um homem de estudo; nada em seus hábitos podia substituir
as horas dedicadas à leitura, distribuídas entre a literatura e a ciência,
sem excluir o domínio mais alto da filosofia. Mesmo nas horas de descanso,
lia. À noite, para atenuar a tensão do seu espírito, voltado para as coisas
sérias, e repousar sua mente fatigada, buscava a leitura amena das obras
de ficção. Tinha predileção pelos romances policiais e os de aventuras,
as novelas de capa e espada e todos os tipos de revistas, até mesmo as
infantis. Lia no original e deleitava-se com as aventuras de Sherlock
Holmes e as de Arsène Lupin. Alfredo Pujol, conhecendo-lhe o gosto por
este gênero de leitura, presenteou-o com a coleção espanhola de livros
do criador do Nick Carter. Considerava Alexandre Dumas um grande romancista
e mandou encadernar a sua obra. Possuía muitos livros de Walter Scott,
o Ben-Hur de Lewis Wallace, traduções em francês e espanhol dos contos
de Edgard Allan Poe e Nathaniel Hawthorne. Possuía cinco edições do Dom
Quixote, três delas assinaladas com minúcias. Certa vez foi surpreendido
rindo das aventuras de Sancho Pança. Atraía os netos para a leitura comentando
com eles a leveza, a graça, o humorístico das peripécias novelescas. Todas
as semanas comprava o Tico-Tico para eles, mas era o primeiro a ler a
revista. Numa das ocasiões, o Desembargador Palma, seu amigo, encontrou-o
mergulhado na leitura e gracejou: 'Você virou criança?' Rui, sério, respondeu:
'O espírito tem necessidade de distrações amenas, e nada melhor para conservá-lo
jovem do que as leituras infantis'." Rejane M. M. A. Magalhães. Rui Barbosa
na Vila Maria Augusta.
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