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O cotidiano de Rui Barbosa
"Rui levava uma vida austera e metódica. Acordava muito cedo, entre 4
e 5 horas da manhã. Lavava o rosto, no quarto de vestir. Encaminhava-se
para a biblioteca [...] e estudava até a chegada do barbeiro, às 6 horas
e 15 minutos. Depois, demorava-se meia-hora no banho morno, vestia ainda
o pijama sobre o qual usava o roupão e, na companhia de Maria Augusta,
tomava o café da manhã. [...] Enquanto se alimentava, lia os jornais,
assinalando com lápis vermelho o que interessava e comentando os acontecimentos
do dia. Nas manhãs de sol, sempre acompanhado de Maria Augusta, visitava
o jardim, aí permanecendo uma hora. Ao voltar para casa, trancava-se no
gabinete de estudos, absorvido pelo trabalho e alheio a tudo. Às 11 horas
e meia era avisado do almoço: no quarto de vestir mudava de roupa e, às
12 horas, almoçava com a família. Por volta das 13 horas saía para as
sessões do Senado ou para o Tribunal, percorria as livrarias, ia ao cinema.
Às 16 horas, mais ou menos, voltava para casa, ia ao encontro de D. Maria
Augusta. Se ela estava com visitas, seguia para o quarto de vestir, onde
mudava de roupa. Pedia o chá e tornava aos livros. Após o jantar, às 19
horas, descansava uma hora na sala de estar, conversando com os íntimos
e, com uma faquinha de marfim, ia abrindo as páginas dos livros. Feito
isso, retirava-se de mansinho, descia a escada de serviço, passava pelo
salão da biblioteca e encaminhava-se para o seu gabinete de trabalho,
onde estudava até que o cansaço o vencesse. Vestia o pijama ou o timão
- o roupão - e, às 10 e meia, 11 horas, deitava-se. Na cama, ainda lia
mais um pouco até o sono chegar." Rejane M. M. A. Magalhães. Rui Barbosa
na Vila Maria Augusta.
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