|
As comidas de Rui Barbosa
"O café da manhã era servido, às vezes, no quarto. Rui preferia chá preto
com leite, e torradas quentes de pão de provença com manteiga. As outras
refeições, na Vila Maria Augusta, eram demoradas e servidas à francesa.
Havia sempre dez a doze convidados. O almoço era servido na sala de almoço
e o jantar, na sala de jantar. Maria Augusta sentava-se à cabeceira e
Rui colocava-se a sua direita. Os filhos não eram admitidos à mesa, a
não ser quando se tornavam maiores. Rui alimentava-se bem, mas moderadamente,
provando de todos os pratos. Tinha fino paladar e era exigente quanto
à qualidade da comida. Chegava ao ponto de conhecer, na mesa, que a cebola
não era partida naquele dia. Quando ia almoçar em qualquer lugar, achava
uma delícia. Apreciava caldo de feijão, canja, frango ensopado com batatas,
frango ao molho pardo (moela e fígado - os pedaços preferidos), legumes,
arroz feito na manteiga, miolo de boi, carne de carneiro e, como bom baiano,
gostava de todos os pratos típicos - especialmente moqueca de peixe e
molho de pimenta. Seu prato preferido era arroz de auçá (arroz com carne
seca e molho de pimenta). A comida era feita num fogão à lenha, grande,
de cobre muito brilhante, que conservava mais calor. Não passava sem ter
a seu lado um grande pedaço de queijo do qual ficava tirando fatiazinhas
durante a refeição toda, diz Baby [sua filha mais nova]. Tinha uma predileção
especial pelas frutas. Raramente tomava cerveja e o vinho só era consumido
quando havia convidados cerimoniosos. Nessas ocasiões era servido licor
ou conhaque Três Estrelas, após o clássico cafezinho. Durante anos, Rui
fez uso do copo de leite às refeições, costume que abandonou depois de
regressar do exílio. Quando ia falar no Senado ou no Supremo Tribunal,
a sua refeição consistia numa xícara de chá preto com leite e torradas,
porque achava que era melhor passar fome do que ser surpreendido por uma
congestão cerebral." Rejane M. M. A. Magalhães. Rui Barbosa na Vila Maria
Augusta.
|

|