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Cinema, a distração preferida
"O cinema é o teatro condensado e rápido. É o drama ou a comédia tendo
por fundo a realidade, a natureza e o universo na variedade infinita de
todas as suas cenas. Não tem bastidores, não tem fingimentos, não tem
mentiras. Ali não se fazem as cenas de brocha, papelão ou trapos. Correm
os rios; erguem-se as montanhas; despenham-se as cascatas; vêem-se os
rebanhos nas pastagens; a natureza se ostenta na variedade incalculável
das suas cenas e a ação humana se produz em toda a plenitude de seu desenvolvimento.
No cinema viajo longes terras; vejo mundos por onde nunca me seria dado
transitar; vou aos desertos da África, aos gelos polares, aos penetraes
mais ínvios das nossas florestas, estou com os homens de todas as nacionalidades,
de todas as raças; contemplo a atitude, a ação de todos os costumes e
assisto a cenas cuja grandeza me enchem a alma de impressão consoladora.
No cinema vejo, aprendo, adquiro, em instantes, uma experiência que em
anos não poderia acumular." Rui Barbosa. "O Cinematographo". "Rui apreciava
muito o teatro, porém gostava mais do cinema. Preferia as fitas naturais.
Diariamente ia ao cinema, à tarde. Freqüentava o Central, o Cine-Palais,
o Parisiense. Nestes cinemas não lhe cobravam entrada. Certa vez, no Odeon,
que ficava na Avenida Rio Branco, esquina da Rua da Assembléia, alegou
que estava com dois amigos e o gerente argumentou: 'Vindo com V. Exa é
a mesma coisa'. No cinema Ideal, na Rua da Carioca, 62, chegou a ter uma
cadeira especial, que lhe foi oferecida como homenagem da gerência. Acompanhava
com enorme interesse a projeção, e à noite comentava as fitas. Certa vez
referiu-se a uma das cenas de Chispa de Fogo, que o impressionara vivamente
pela brutalidade e realismo. Gostava de filmes de far-west. Vibrava com
as aventuras de Tom Mix e torcia mais do que a criançada. Gostava também
de filmes cômicos, como os de Charles Chaplin." Rejane M. M. A. Magalhães.
Rui Barbosa na Vila Maria Augusta.
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