No Diário de Notícias Rui bate-se pela monarquia federativa, dando às províncias autonomia para escolher seus governantes, com o fim das indicações feitas pelo Imperador



Rui Barbosa e o Diário de Notícias
  Rui a um passo do regime republicano
A recusa do Partido Liberal em introduzir no seu programa o sistema federativo afasta Rui Barbosa de seus antigos companheiros. Rui está a um passo do regime republicano

"Um jornal sem interesses nem partidos, de liberdade na ordem, conservação no progresso e reforma na legalidade." Eram estes os objetivos de Rui Barbosa quando, em março de 1889, assume o cargo de redator-chefe do Diário de Notícias, onde permanecerá por nove meses. Periódico modesto, ele o transformará num dos grandes órgãos da imprensa nesse agitado final do Império. No editorial intitulado "Nosso Rumo", Rui propõe a reforma da monarquia. O ponto capital de sua campanha era a federação.Por não ter sido incluída no programa do gabinete liberal do Visconde de Ouro Preto, Rui recusa pasta no ministério formado em junho de 1889.


Guerra do Paraguai, abolição do trabalho escravo, campanha republicana. Militares ganhando prestígio, cafeicultores e parcelas da elite voltadas para a indústria e comércio exigindo créditos agrícolas e recursos financeiros, províncias requerendo autonomia. Os novos tempos reclamavam mudanças profundas na estrutura do país. Mas a monarquia, aliada a setores decadentes, fazendeiros e escravocratas arruinados, encontrava-se imobilizada. Incapaz de responder aos anseios da sociedade, perdia o apoio das forças que até então lhe davam sustentação.
O descontentamento crescia em todos os setores, sobretudo nos quartéis. Em sucessivos editoriais, o Diário de Notícias aborda os desdobramentos da questão militar - conflitos entre as forças armadas e o gabinete Ouro Preto. Para uma rebelião faltava apenas alguém que liderasse as tropas. E o nome de consenso foi o do General Deodoro da Fonseca. No dia 9 de novembro de 1889 Rui publica artigo pregando a revolução. "O Plano contra a Pátria" causou tal impacto que Benjamin Constant irá procurá-lo, informando-o sobre a conspiração em andamento e convidando-o a aderir.

Deodoro da Fonseca em Mato Grosso, 1889
A insatifação toma conta do País
Base parlamentar da monarquia, os partidos Liberal e Conservador alternavam-se no poder. Agora, o Imperador não encontra mais forças para controlar a insatisfação que toma conta do país

"Se tenho combatido a Monarquia, a culpa não é minha e, sim, dela, de sua aversão a reformas necessárias, o que a coloca numa situação que periga."

Rui Barbosa em 1889
Em 1887, o General Deodoro da Fonseca declara ao ministro da Guerra que não caberia ao Exército a tarefa de caçar escravos fugidos. Conflitos entre a monarquia e os militares - originados com o apoio de oficiais ao movimento abolicionista - vão se tornando freqüentes.

Um novo atrito entre Deodoro e a Coroa acontece em 1889. Exonerado do comando das forças militares em Mato Grosso, Deodoro volta para o Rio de Janeiro, afastando-se cada vez mais do Imperador, seu amigo pessoal.

 
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