Quando Rui Barbosa traduz O Papa e o concílio, um conflito entre o Estado e a Igreja ocorria no Brasil, decorrente da proibição, pela alta hierarquia católica, de os padres celebrarem cerimônias em que participassem maçons. Como as certidões de batismo e casamento fornecidas pela Igreja valiam como registro civil - inexistente àquela época -, os não-católicos eram obrigados a submeter-se ao culto cristão, sob pena de não ter uma existência legal na sociedade.


Conferências, discursos e comícios. Aos poucos, a política vai entrando na vida de Rui Barbosa. Em 13 de janeiro de 1878 é eleito deputado à Assembléia Legislativa Provincial da Bahia pelo Partido Liberal, com 1.071 votos. Em setembro do mesmo ano elege-se deputado geral e muda-se para a Corte, no Rio de Janeiro.

Estréia de Rui Barbosa no Júri, em março de 1872
. Rui  e Maria Augusta
No dia 23 de novembro de 1876 Rui Barbosa casa-se com Maria Augusta Viana Bandeira, com quem permaneceria por toda a vida. Da união nascem cinco filhos: Maria Adélia (1878), Alfredo Rui (1879), Francisca (1880), João (1890) e Maria Luísa Vitória (1894).

Com o diploma de advogado nas mãos, Rui Barbosa regressa à Bahia e, após longa enfermidade, inicia carreira no escritório do Conselheiro Dantas e de Leão Veloso. Em março de 1872 estréia no júri, obtendo a condenação de réu que seduzira uma moça de condição social humilde. A vitória daquele rapaz de apenas 22 anos foi amplamente divulgada pela imprensa. É quando se aproxima de Rodolfo Dantas, filho do Conselheiro, proprietário e diretor do Diário da Bahia, órgão do Partido Liberal em que Rui Barbosa ingressara em 1871, seguindo os passos do pai, que fora deputado geral. Nasce uma forte amizade e Rui, feito redator-chefe do periódico, colaboraria no jornal, sem remuneração, desenvolvendo campanhas pela abolição, reforma eleitoral, liberdade religiosa e sistema federativo.
Tido como anticlerical por traduzir e assinar longa introdução ao livro O Papa e o concílio, em que atacou a infalibilidade do Papa decretada pelo Vaticano, Rui Barbosa, em verdade, defendia a liberdade de expressão e de culto pela qual sempre lutou. Questionava o catolicismo como o credo oficial imposto a toda a população e, acima de tudo, pregava um Estado laico, completamente separado da Igreja. A edição, financiada pelo próprio Rui em 1877, ficou encalhada nas livrarias e a resistência de setores católicos contra ele acompanhou-o por muito tempo.

 
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