Tenentismo - Nome que se dá ao movimento político desencadeado durante a década de 20 por jovens oficiais, a maioria tenentes e capitães, em oposição ao governo e à alta oficialidade, que defendia os interesses da oligarquia. Em linhas gerais os tenentes reivindicavam maior centralização dos Estados, uniformização da legislação e do sistema tributário, e implantação do voto secreto. O movimento teve início no curso da disputa eleitoral, quando a oficialidade, já insatisfeita devido ao propalado caráter antimilitar da candidatura de Artur Bernardes, foi atingida em seus brios por cartas publicadas no Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, em outubro de 1921. Supostamente enviadas por Bernardes, elas condenavam, em termos pejorativos e grosseiros, o "banquete dado pelo Hermes", jantar promovido por ocasião da posse do ex-presidente da República, Hermes da Fonseca, na presidência do Clube Militar. Tratavam-se de cartas falsas que, entretanto, alcançaram seus objetivos de insuflar os ânimos já bastante acirrados, justamente no momento em que Bernardes havia vencido as eleições de junho de 1922, mas ainda não tomara posse. Nesse clima beligerante, o Clube Militar protestou contra a utilização, pelo governo, de tropas do Exército para intervir na política local de Pernambuco. Como represália, o governo mandou prender Hermes da Fonseca, e determinou o fechamento do Clube Militar, alegando, para tanto, transgressão à lei que dispunha contra associações prejudiciais à sociedade. Assim, ao levante dos 18 do Forte, que visava "salvar a honra dos militares", seguiu-se outro, dois anos depois, desta vez em São Paulo. O chamado Segundo 5 de julho, data escolhida em homenagem à primeira sublevação, foi melhor preparado e tinha como objetivo central a derrubada de Artur Bernardes, que personificava a oligarquia dominante, objeto da ira dos tenentes. Esse ciclo de revoltas militares, que teve como um de seus pontos altos a marcha da Coluna Miguel Costa-Prestes (1925-1927), culminaria com a Revolução de 30 e a deposição de Washington Luís, pondo fim à República Velha. Depois da revolução, uma parte dos tenentes, integrantes da Aliança Liberal, acabou compondo com o governo, enquanto outra prosseguiu com suas metas revolucionárias e radicais, que desembocariam no levante comunista de 1935.