Campanha abolicionista - No início da década de 1880, com o surgimento de associações, jornais e outros meios de propaganda, o movimento abolicionista ganhou força. Joaquim Nabuco cria no Rio de Janeiro, juntamente com José do Patrocínio, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, estimulando a formação de dezenas de agremiações semelhantes em todo o país. Filho de um padre que também era fazendeiro dono de escravos, com uma negra vendedora de frutas, Patrocínio foi proprietário Gazeta da Tarde, diário abolicionista da Capital Federal, tornando-se célebre por seus discursos e artigos inflamados. Da mesma forma, o jornal O Abolicionista e o manifesto "O Abolicionismo", de Nabuco, além da Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, inspiravam o surgimento de outras publicações antiescravistas. Ao lado de pessoas de origem humilde, inúmeros advogados, artistas, intelectuais e homens da imprensa engajam-se na campanha, arrecadando fundos para o pagamento de cartas de alforria, documento que concedia a liberdade ao escravo. Luís Gama, ele próprio descendente de abastada linhagem portuguesa e filho uma negra, foi um desses exemplos. Vendido ilegalmente como escravo pelo pai empobrecido, enviado para o Rio de Janeiro e depois para Santos, fugiu da casa do senhor, alistou-se como soldado e mais tarde converteu-se em poeta, advogado e jornalista, sempre dedicado à causa do fim do trabalho servil, que sacudia o Brasil de alto a baixo. Pouco antes da decretação da Lei Áurea o movimento abolicionista passou a incentivar fugas maciças de escravos.