
o dia 10 de Abril de 1500, a armada de Pedro Álvares Cabral ruma na
direção sudoeste, já tendo passado o equador. Pouco tempo depois, deixa, a
ocidente, o cabo de São Roque na ponta Nordeste do Brasil, sem o avistar.
Esse cabo era um dos pontos de maior dificuldade no Atlântico Sul. Por
isso, deveria ser evitado a todo o custo no futuro, pelos navios que,
vindos das ilhas de Cabo Verde, deveriam fazer uma volta para o ocidente,
antes de atingirem os 20º Sul, de onde se dirigiriam de novo para leste,
rumo ao cabo da Boa Esperança.
É de se estranhar o fato da armada de Pedro Álvares Cabral rumar para
sudoeste em vez de se dirigir para sul, como seria mais natural. Isso
permitiu que, no dia 18 de Abril, a armada
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se encontrasse na latitude da
Baía. Os navios seguiam o seu caminho "por este mar de longo"- como
escreveu Pêro Vaz de Caminha -muito afastados para ocidente, mais do que
o haviam feito os pilotos de Vasco da Gama em 1497. Alguns dos quais,
inclusive, iam a bordo da armada. Foi então que, no dia 21 de Abril, Pedro
Álvares Cabral observou, no mar, indícios de que poderia haver terras
naquela área do Atlântico. Tal suposição deriva da circunstância de se
ter avistado, ainda segundo Caminha, "muita quantidade de ervas compridas
a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam
rabo de asno".
Em 1497, Vasco da Gama não terá visto tais indícios mas apenas aves, sem
saber de onde tinham vindo. A intrigante novidade de terem sido avistados
pássaros que não se sabia de onde vinham - e Vasco da Gama e os seus
pilotos comunicaram
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tal fato a Pedro Álvares Cabral - terá contribuído
para que este prestasse particular atenção a mais algum indício de terra
que pudesse detectar no decorrer da sua travessia do Atlântico Sul. Apesar
de serem águas mal conhecidas, os portugueses admitiam a possibilidade da
existência de terras.
De acordo com indicações que já trazia de Lisboa - ou talvez por suas
próprias iniciativas no local - Cabral decidiu examinar e seguir os indícios
de terra. Para isso, teria que explorar as áreas para ocidente.
Pedro Álvares Cabral, em meados de Abril de 1500, seguia mais para
ocidente do que seria necessário para poder apanhar a sul os ventos que
lhe permitissem rumar para leste, como era o seu objetivo principal. Mas,
ainda assim, decidiu avançar para ocidente, desviando-se deliberadamente
do rumo sul. Ele teve consciência de que as plantas avistadas no mar, tal
como o
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registrou Pêro Vaz de Caminha, eram indícios de proximidade de algum
território: "Topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo
os pilotos diziam obra de 660 ou 70 léguas".
Em 1500, a determinação das distâncias percorridas era feita por
estimativa, pois não havia outra maneira de calcular as diferenças entre
as longitudes dos lugares. Já as latitudes eram obtidas com o recurso de
quadrantes e astrolábios. A indicação dos cálculos dos pilotos, de que os
navios estavam a cerca de 660 ou 670 léguas da ilha de São Nicolau (último
ponto de referência que tinham da sua navegação), leva-nos a acreditar que
Cabral sabia estar a cerca de 3.907 ou 3.966 km dessa ilha. Ora, este
cálculo está bastante próximo da realidade, pois ele estava de fato a uma
distância de cerca de 3.900 km, numa posição não muito afastada da latitude
de Porto Seguro. Tal fato revela que os pilotos tinham a noção do grande
desvio
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da armada que estava para ocidente.
Ao comprovar indícios de terra, no dia seguinte, 22 de Abril de 1500, Pero
Vaz de Caminha assinalou que nessa "quarta-feira seguinte pola manhã,
topámos aves, a que chamam fura buchos".
Pedro Álvares Cabral decidiu continuar a exploração oceânica, apesar de
que, para isso, precisasse prolongar o tempo da travessia do Atlântico Sul.
Sem dúvida, ele terá percebido a importância da descoberta da existência de
terras a sudoeste do Atlântico, que poderiam ter algum interesse no futuro.
Aquela parte do Mundo estava no âmbito da área portuguesa determinada pelo
Tratado de Tordesilhas.
A aguçar a curiosidade de Pedro Álvares Cabral também poderiam estar as
observações de um dos peritos náuticos que ia com ele, o mestre João
Farras, que teria falado de um mapa pertencente ao fidalgo Pêro Vaz da
Cunha, o Bisagudo, onde era
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indicada a existência de terras naquela
região.
Ainda segundo o registro de Pêro Vaz de Caminha: "a horas de véspera,
houvemos vista de terra, a saber: primeiramente de um grande monte mui
alto e redondo, e de outras terras mais baixas, ao sul dele, e de terra
chã, com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitam pôs nome o monte
Pascoal, e à terra a terra de Vera Cruz".
O Monte Pascoal, situado a 16º 45' Sul, foi avistado de sudeste e, perante
tal observação de terra, Cabral "mandou lançar o prumo". Os pilotos acharam 25 braças, isto é,
uma profundidade de cerca de 44 metros. Ao pôr do sol, a armada
encontrava-se a cerca de 6 léguas, uns 35 km de terra. Nessa altura, os
navios ancoraram para passar a noite, tendo a água uma profundidade de 19
braças, isto é, uns 33 metros.
Na manhã seguinte, os navios levantaram âncoras
e
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avançaram em direção ao
litoral, indo os de menor tonelagem à
frente. Por volta das 10 horas da
manhã, estavam a meia légua - menos de 3 km de terra - quando Pedro
Álvares Cabral mandou de novo ancorar os seus navios. Estavam então frente
à foz de um rio, o rio do Frade, onde avistaram autóctones do Brasil.
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