amília poderosa, os Cabrais aparecem na história de Belmonte no reinado
de D. Afonso IV, que começa em 1325. Já na segunda metade do século XIV,
D. Pedro e D. Inês de Castro teriam doado a D. Gil Cabral, bispo da Guarda,
uma herdade, casas, vinhas, soutos e outras fazendas na Vila da Covilhã.
Por testamento feito em 1362, D. Gil Cabral doou todos os seus bens a sua
filha, D. Maria Gil Cabral, moradora de Belmonte, para os possuir enquanto
vivesse, mas com a obrigação de mandar edificar uma capela na Igreja de São
Tiago, em honra a Nossa Senhora da Piedade e em memória a ambos.
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Também D. Maria Gil deveria, à sua morte, deixar os bens a alguém da
linhagem de ambos, instituindo um
morgado.
Assim ela fez. Edificou a capela e nomeou morgado Luís Álvares Cabral, seu
sobrinho, não sem antes ter acrescentado aos primeiros bens doados uma
propriedade sua que tinha em Belmonte.
Assim nasceu a Casa de Belmonte dos Cabrais. Os senhores que, ao longo do
tempo possuíram a Casa, o Castelo, a Alcaidaria-Mor (o governo da praça) de
Belmonte foram, desde tempo muito remotos, anexando ao morgado solar desta
família várias propriedades, de forma que chegou esta Casa a ter sete morgados,
além dos direitos e rendas que lhe competiam da Alcaidaria, como
desfrutavam de infinitos privilégios.
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Era grande o poder dos Cabrais em Belmonte. Grandes proprietários rurais
em tempos em que a terra era praticamente a única riqueza e aqueles que a
possuíam tinham todos os direitos sobre os homens que a cultivavam. Os
clérigos e os nobres eram os privilegiados e constituíam a classe dominante
num mundo de largo obscurantismo. Em Belmonte, eram os Cabrais que possuíam
a quase totalidade das terras.
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