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SERÁ O PARAÍSO?
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
Ao pôr do sol do dia vinte e dois de abril de 1500 os navios da armada de
Pedro Álvares Cabral lançaram âncora à vista de terra. Consta que os
marinheiros festejaram até altas horas da madrugada aquela descoberta
que ainda não sabiam bem onde os poderia levar. Mas cantavam, riam,
contavam histórias, admirados por sentirem um extremo bem-estar físico
e uma alegria sem fim.
- É o ar - diziam uns. - O ar para estas bandas é muito saudável e
festivo.
Quando finalmente se estenderam para um breve descanso, que sono leve e
despreocupado! Há muito que não dormiam tão bem.
Na manhã seguinte soltaram as velas para irem ancorar mais adiante, perto
da boca de um rio. O relógio de areia indicava dez horas da manhã quando
avistaram gente na praia, uns sete ou oito homens, tão espantados por
verem chegar aqueles navios como os marinheiros por os verem a eles.
Pedro Álvares Cabral mandou chamar os capitães das outras naus e reuniram
para combinar o desembarque. Um dos capitães era Nicolau Coelho, tinha ido
à Índia com Vasco da Gama e portanto conhecia terras e povos da Europa, da
África e da Ásia. Invocando a sua longa experiência, pediu para ser um dos
escolhidos. Queria absolutamente pisar a terra magnífica que tinham diante
dos olhos e não pertencia a nenhum dos continentes que visitara em viagens
anteriores. Pedro Álvares Cabral acedeu e pouco depois saía um bote para
o qual não faltaram remadores voluntários.
Na praia juntara-se entretanto muita gente. E que belas figuras! Os
marinheiros arregalavam-se mas nem viam direito porque outras imagens
lhes sobressaltavam o coração. Que maravilha as árvores! Apesar de serem
grandes e cheias de força, não metiam medo.
Quanto aos pássaros, eram
tão coloridos que se diria terem tingido as penas ao atravessarem o
arco-íris. E não se limitavam a cantar. Emitiam sons inesperados como
se estivessem chamando ou ralhando com alguém. Mas extraordinário mesmo
eram os seres humanos, lindos de morrer, que andavam nus, sem vergonha
de mostrarem o corpo. Parecia quase impossível que existisse no mundo um
lugar assim. Por isso os marinheiros perguntavam entre si:
- Será o Paraíso?
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