José Manuel Garcia

Constança de Castro, mulher de D. Fernando de Noronha e mãe de D. Isabel de Castro, usufruía de uma renda importante que consistia nos rendimentos dos linhos da região de Torres Vedras. Em 1503, pediu à rainha D. Maria, mulher de D. Manuel e senhora dessa vila, que a autorizasse a doar tal rendimento à sua filha que ia casar, e que a rainha então tratava por "nossa donzela", pois era ainda solteira nos inícios do ano. A rainha acedeu a esse trespasse por carta de Lisboa a 13 de Fevereiro de 1503. Tal documento

foi depois confirmado a D. Isabel de Castro como "mulher de Pedro Álvares Cabral" em 14 de Julho de 1517. É de recordar que poucos anos antes desta confirmação, por carta concluída em Calecut em 2 de Dezembro de 1514, Afonso de Albuquerque, governador do Estado da Índia, concluía uma carta em que pedia ao rei D. Manuel que retomasse ao seu serviço Pedro Álvares Cabral. Nessa curiosa missiva ele refere-se explicitamente ao casamento deste último com a sua sobrinha ao referir que "fui eu que concertei e ordenei este casamento e lhe fez dar da fazenda de minha irmã". Esta referência leva a admitir o empenho que Afonso de Albuquerque teria tido no casamento pelo que se poderá supor que este tenha se realizado pouco antes de 6 e Abril de 1503, de forma a que o futuro governador da Índia ainda pudesse assistir a tal cerimônia antes de nesse dia embarcar

para a sua primeira viagem à Índia.
A mencionada carta de trespasse de 1503 destinava-se a, com esse rendimento, assegurar parte do dote de D. Isabel de Castro, que então estava a se preparar para casar com Pedro Álvares Cabral.
D. Constança e Afonso de Albuquerque eram filhos de Gonçalo de Albuquerque, senhor de Vila Verde, e de D. Leonor de Meneses, sendo esta filha de Afonso Gonçalves de Ataíde, (conde de Atouguia) e de D. Guiomar de Castro. Esta última era filha de D. Pedro de Castro e de D. Leonor Teles de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses, cujo belíssimo túmulo se pode ver ao lado do de Pedro Álvares Cabral na igreja da Graça de Santarém.
O avô paterno da mulher de Pedro Álvares Cabral, era filho de D. Pedro de Noronha, que foi arcebispo de Lisboa, e de Isabel

Perestrelo, irmã de Filipa Perestrelo, famosa pelo seu casamento com Cristóvão Colombo. D. Pedro Noronha, por sua vez, era filho de D. Afonso, conde de Gijon e Noronha e de D. Isabel, bastarda do rei D. Fernando de Portugal, enquanto D. Afonso era filho do rei Henrique II de Castela.
Os outros irmãos de D. Isabel de Castro foram: D. Afonso de Noronha, D. Álvaro de Noronha, D. Garcia Noronha, D. Jorge de Noronha, D. António de Noronha e D. Leonor de Noronha. Muitos dos seus irmãos distinguiram-se por feitos de armas na Índia com destaque para D. Garcia que foi vice-rei do Estado da Índia.
O filho mais velho de Pedro Álvares Cabral e de D. Isabel de Castro, Fernando Álvares Cabral, teria nascido em inícios de 1504 e falecido em 1554. Seus outros filhos foram Antônio Cabral, D. Constança de Castro, D. Guiomar de Castro, D. Isabel e D. Leonor.


Árvore Genealógica de Isabel de Castro