
uas mentalidades se reúnem para a concepção e elaboração da nossa revista
on-line "Cabral, o Viajante do Rei": a portuguesa, fornecedora da realidade
e dos dados históricos precisos que compõem a trajetória de Cabral; e a
brasileira, distante e indagativa dessa realidade e do medievo em que tudo
se situa.
Para um português de qualquer situação, origem e nível cultural, a
História dos Descobrimentos constitui uma herança viva, assegurada não só
pela tradição e pelo acesso às fontes reais de informação, mas pelo
convívio - consciente e inconsciente - com uma arqueologia "recente" e
real, presente a cada passo na paisagem, atuante ainda hoje a cada
instante nos costumes, no jeito de ser e até mesmo na
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consangüinidade.
Para um brasileiro, ao contrário, produto de uma formação social e
cultural com mal completados quinhentos anos, toda essa realidade carnal
portuguesa soa quase sempre como um conto de fadas. Reis, príncipes,
fidalgos e nobres, castelos e palácios, repressão inquisitorial,
cristianização do mundo mouro, cidades fortificadas, alcáçovas e armaduras
são referências distantes demais - fascinantes e intrigantes, porém
longínquas do cotidiano e da tradição. Para elucidar a personalidade de
Cabral é preciso reunir essa naturalidade próxima dos portugueses às
indagações vivas e distantes dos brasileiros. A surpreendente revelação do
telúrico e real de que se compõe todo o suposto conto de fadas e
cavaleiros que foram a carreira e a façanha de Pedro Álvares Cabral:
estórias
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de capa e espada, mares e monstros, reis e papas, fidalgos e degredados.
Assim é a nossa revista e nesta edição apresentamos na seção "Homem"
a importância de D. Isabel de Castro, mulher de Cabral, em um texto de
José Manuel Garcia, historiador português e nosso colaborador. Na
seção "Novo Mundo" fazemos um apanhado do que era a organização social
e política na cultura indígena a 500 anos, e na seção "Viagem do
Descobrimento" abordamos a questão dos ventos na viagem de Cabral e
a importância das correntes na chegada até o Brasil. Esperamos que
questionamentos sejam desvendados e que outros venham à tona. Até a
próxima edição...
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