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QUEM ERA O PILOTO DE CABRAL
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
O piloto escolhido para conduzir a nau de Pedro Álvares Cabral era um
velho lobo do mar, um navegador experiente chamado Pêro Escobar. Ele
havia subido a bordo pela primeira vez trinta anos antes, quando era
ainda um rapaz novo e sem idéias concretas sobre o futuro. Mas ao sentir
balançar o casco do navio debaixo de seus pés, entendeu que aquele balanço
das águas lhe agradava muito e disse logo aos companheiros:
- Quero ser piloto!
Os outros riram e brincaram com ele de forma amigável.
- Isso todos nós queríamos ser...
- Não tenha esperança para não ter desilusões. Só os melhores chegam tão
alto!
Não exageravam. O cargo de piloto exigia muitas qualidades e muito
estudo. Quem conduzia o navio em alto mar não podia adoecer com
facilidade - resistência física era a primeira condição. Também era
indispensável aprender a ler, a escrever, estudar matemática e
astronomia, usar corretamente a bússola, o quadrante, o astrolábio.
Compreender e decifrar os mapas incompletos daquela época para ir
traçando as rotas percorridas e assinalando as terras descobertas.
Experiência, experiência, pois nada disso se fazia sem experiência.
Mas um homem só se tornava realmente piloto se possuísse uma certa
habilidade interior para conversar secretamente com as forças da Natureza,
entender das mudanças do tempo, conhecer as marés e, principalmente, os
ventos. Pêro Escobar somou tudo isso e tornou-se um dos pilotos mais
famosos de seu tempo. Durante anos conduziu caravelas ao longo da costa
da África. A calma com que enfrentava as grandes tempestades virou lenda.
Por vezes, os marinheiros ainda estavam distraídos pelo convés e ele já
berrava ao homem do leme:
- Virar a bombordo!
Quando o problema era a terrível falta de vento que obrigava a longas
paragens em alto mar semeando o desespero entre marinheiros e grumetes,
lá vinha ele com o mapa para lhes mostrar o local em que estavam e falar
das praias onde desembarcariam logo que um vento soprasse as velas
levando-os em frente. Piloto competente, presença forte a bordo, não
admira que tenha sido escolhido para pilotar uma das naus da armada que
levou Vasco da Gama a descobrir o caminho marítimo para a Índia. E que na
armada seguinte, fosse chamado para acompanhar o próprio capitão-mor Pedro
Álvares Cabral.

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