asco da Gama é uma das figuras mais importantes da História da
Humanidade, pois foi o protagonista da viagem que realizou o descobrimento
do caminho marítimo entre a Europa e a Índia, iniciando assim uma nova era
da História da Humanidade. Essa grande aventura foi a mais longa e a mais
extensa viagem naval até então realizada.
Vasco da Gama foi um cavaleiro fidalgo nascido em Sines, talvez em 1466,
no qual o rei D. Manuel depositava grande confiança por saber de sua
capacidade de comando. Foi por esse motivo que o escolheu para dirigir
um empreendimento tão ambicioso quanto difícil, pois tinha esperança de
que ele e os seus homens pudessem
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concluir um processo histórico da maior importância, que tinha sido iniciado pelo Infante D. Henrique e continuado
por D. João II. O descobrimento do caminho para as Índias iria iniciar uma
nova e intensa fase da Expansão Portuguesa no Oceano Índico.
A armada de Vasco da Gama iniciou a viagem que viria a imortalizar o
seu nome num sábado, 8 de Julho de 1497, depois de uma missa solene
celebrada no Restelo: cerca de 150 homens da armada embarcaram em quatro
navios, sendo duas naus, construídas especialmente para esta viagem: a
São Gabriel, capitaneada por Vasco da Gama, que tinha por piloto Pêro
de Alenquer, e a São Rafael, cujo capitão era o seu irmão mais velho,
Paulo da Gama, que levava o piloto João de Coimbra. Um terceiro navio,
denominado Bérrio, talvez fosse uma caravela, e tinha por capitão
Nicolau
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Coelho e por piloto Pêro Escolar. Havia ainda uma nau com um suprimento
de mantimentos, capitaneada por Gonçalo Nunes.
A armada passou pelas Canárias, deteve-se na ilha de Santiago, e em 3 de
agosto iniciou uma larga volta pelo Atlântico Sul, para aproveitar de
forma adequada o regime dos ventos. Esta parte da viagem demorou três
meses e foi uma das mais difíceis. A rota a seguir não podia ir direto
do arquipélago de Cabo Verde para o cabo da Boa Esperança, porque os
navios de pano redondo ou retangular, como eram aqueles da armada de
Vasco da Gama, tinham de ter ventos favoráveis para poderem progredir,
já que não podiam bolinar como as caravelas de velas latinas ou
triangulares. A armada, depois de deixar a África, dirigiu-se numa
rota para sudoeste até quase as proximidades da costa brasileira, de
forma que pudesse navegar com ventos de sueste do lado esquerdo.
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Seguiu
sempre para sul, talvez até uma latitude de cerca de 20º Sul, rumando
então para oriente, com o objetivo de passar o cabo da Boa Esperança.
No dia 4 de novembro a armada atingiu a África do Sul e três dias depois
chegou à angra de Santa Helena onde fez uma escala. Dobrou o cabo da Boa
Esperança em 22 de novembro e a 25 deteve-se de novo na angra de São
Brás, onde foi desmantelada a nau dos mantimentos.
No dia 20 de dezembro de 1497, Vasco da Gama ultrapassou o rio do Infante,
limite da viagem de descobrimento realizada em 1488 por Bartolomeu Dias
e começou a navegar por águas desconhecidas. A 25 de dezembro passou ao
largo da costa sul africana do Natal,
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chegando à ilha de Moçambique a 1º
de março de 1498. Lá, Vasco da Gama começou a enfrentar reações hostis
por parte dos muçulmanos, as quais voltaram a repetir-se frente à cidade
de Mombaça, no Quênia, onde chegou a 7 de abril.
Vasco da Gama, no decurso das suas explorações na África Oriental,
procurava uma povoação amigável, onde pudesse encontrar cristãos, um
piloto que orientasse a armada para chegar às Índias e as preciosas
especiarias que buscava.
A armada ancorou em Melinde em 14 de abril e o rei desta povoação
mostrou-se amigável com os portugueses, tendo-lhes fornecido um piloto
indiano do Guzarate, que orientou a armada no desejado rumo da Índia.
Depois de uma viagem de 23 dias, a 18 de maio de 1498 a costa do Malabar
foi avistada e, em 21 de maio, os navios de Vasco da Gama
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foram ancorar
ao largo de Calecut, que era então a mais importante cidade do litoral
indiano.
O primeiro português que desembarcou em Calecut foi o degradado João
Nunes, que se deparou com dois mouros de Tunes, conhecedores da língua
castelhana, aos quais comunicou que o objetivo da viagem era encontrar
"cristãos e especiarias". Com apenas duas palavras ele conseguiu traduzir
os objetivos religiosos e econômicos que orientavam a Expansão Portuguesa.
A armada foi depois conduzida para o mais seguro ancoradouro de
Pandalayny, a norte de Calecut, que os portugueses denominaram Pandarane.
As semanas seguintes passaram-se numa difícil missão diplomática e
econômica numa Calecut onde os portugueses pensaram que os hindus que aí
habitavam eram cristãos, admitindo que seria possível negociar com eles
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as especiarias, contra os interesses dos muçulmanos, que aí tinham muita
influência.
Vasco da Gama não conseguiu estabelecer uma feitoria em Calecut como era
o seu desejo, mas ainda assim adquiriu especiarias e pedras preciosas e
deixou abertas as portas para futuras negociações.
Em 29 de agosto de 1498, os homens de Vasco da Gama deixaram Calecut,
rumando a norte, tendo explorado uma parte da costa da Índia. Em 24 de
setembro chegavam à ilha de Angediva, ao sul de Goa, onde se prepararam
para a viagem de regresso à Europa.
A 5 de outubro de 1498, a armada iniciou uma travessia muito penosa do
Índico, pois não era essa a época indicada para fazer tal viagem. A
deficiente alimentação provocou então a morte de dezenas de tripulantes
com escorbuto. Só em 2
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de janeiro de 1499 é que conseguiram chegar às
proximidades de Mogadoxo, passando depois por Melinde, Zanzibar,
Moçambique e a angra de São Brás.
Depois de chegar ao arquipélago de Cabo Verde, Vasco da Gama dirigiu-se
aos Açores, onde veio a falecer o seu irmão Paulo da Gama. Devido a este
desvio forçado do capitão-mor da armada, o primeiro navio que chegou à
barra do Tejo a 8 ou 10 de julho de 1499, dois anos depois da sua partida,
foi a Bérrio de Nicolau Coelho.
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D. Manuel mostrou-se muito contente com os resultados
auspiciosos da
viagem, apesar de menos de metade da tripulação ter regressado. A partir
de então uma nova rota passava a ligar a Europa à Ásia de forma regular,
ampliando os horizontes da economia mundial e dando um golpe no domínio
islâmico das rotas no Índico. O rei agraciou Vasco da Gama com uma boa
renda de 300.000 reais, o tratamento de Dom, o cargo de Almirante da Índia
e, em 1519, o título de Conde da Vidigueira.
Vasco da Gama deu provas de ser um homem enérgico, decidido e severo
em questões de honra, autoridade e justiça, tendo justamente ficado
para a posteridade como um símbolo da capacidade de realização de missões
difíceis.
O Almirante voltou à Índia mais duas vezes: uma em 1502
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à frente de uma
importante armada; e outra em 1524, com o cargo de Vice-rei da Índia. O
seu governo foi, contudo, muito
curto, pois veio a falecer em Cochim na
noite de 24 de dezembro de 1524, quando tinha 58 anos.
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