os reinados de D. João II e de D. Manuel, a nobreza portuguesa repartia-se
por grupos que estavam ligados à vida na corte, dentre os quais o rei
escolhia as personalidades que iam ocupar os cargos militares,
administrativos e judiciais mais importantes na metrópole e além-mar.
Nesse tempo, eram poucos os fidalgos que se limitavam a uma
vida de província ou de solar.
A nobreza mais importante no tempo de Pedro Álvares Cabral era um conjunto
restrito de famílias que tinha títulos. Um amplo panorama dessa nobreza pode
ser visualizado numa obra grandiosa mandada realizar em 1515 e concluída
em
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1520, no ano da morte de Pedro Álvares Cabral. Foi a construção da grandiosa
sala do palácio de Sintra, em cujo teto D. Manuel mandou pintar
os brasões das 72 famílias mais importantes da nobreza portuguesa de então,
entre as quais se contava a de Cabral:
Noronhas, Coutinhos, Castro, Ataíde, De Eça, Meneses, Castros, Cunhas,
Sousas, Pereiras, Vasconcelos, Melos, Silvas, Albuquerques, Andradas,
Almeidas, Manueis, Febos Monis, Limas, Távoras, Henriques, Mendonças
Furtados, Albergaria, Almadas, Azevedos, Castelo Branco, Abreus, Britos,
Moras, Lobos, Sás, Corto Real, Lemos, Ribeiros, Cabrais, Mirandas, Tavares,
Mascarenhas, Sampaios, Malafaias, Meiras, Aboim, Carvalhos,
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Motas, Costas,
Pessanhas, Pacheco, Sotomaior, Lobatos, Teixeiras, Valente, Serpas, Gama,
Nogueira, Betancor, Góis, Pestanas, Barretos, Coelhos, Queirós, Ferreiras,
Sequeiras, Cerqueiras, Pimenteis, Goios, Arcas, Pintos, Gouveias, Faria,
Vieiras, Aguiar e Borges.
O inventário da grande nobreza em 1506 permite-nos verificar que os seus
vultos mais proeminentes eram os seguintes: D. Jaime - Duque de Bragança,
D. Jorge - Duque de Coimbra e D. Fernando de Menezes - Marquês de Vila
Real e Conde de Ourém.
Abaixo destes titulares havia 10 condes: Conde de Loulé e Marialva, Conde
de Tentúgal, Conde de Faro, Conde de Alcoutim, Conde de Abrantes, Conde de
Portalegre, Conde do Redondo, Conde de Tarouca, Conde de Penela, Conde da
Feira.
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Além do grupo da alta nobreza haviam os vassalos do rei, em que se
distinguiam vários ramos das famílias mencionadas acima e que, por sua vez,
tinham uma hierarquia
própria, onde eram levados em conta fatores que
passavam pela antigüidade dos nascimentos. Era nesta categoria de fidalgos
que se enquadrava Pedro Álvares Cabral, filho segundo no seu ramo familiar.
Cabral não conseguiu ascender a um grau superior da nobreza depois da sua
viagem de 1500-1501, pois não recebeu a honra do tratamento de Dom nem
qualquer título, ao contrário do que acontecera com Vasco da Gama. Este
fidalgo, cuja importância social era idêntica
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à de Pedro Álvares Cabral
e também era filho segundo, pelo seu descobrimento do caminho marítimo
para a Índia, recebeu o referido tratamento de Dom em 1500 e conseguiria
ainda em 1519 a sua promoção nobiliárquica a Conde da Vidigueira.
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