A VIDA A BORDO

Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede


A vida a bordo tinha que ser muito organizada pois, com tantos homens juntos na mesma nau e sem saberem quanto tempo demoraria a viagem, nada mais natural do que ocorrerem brigas. A fim de evitar conflitos, distribuíam-se tarefas muito concretas e imaginavam-se divertimentos para os tempos livres



Quem ia bordo das naus e caravelas?


CARGOS TAREFAS
Capitão-mor Comandava a armada. Viajava na nau capitânia que levava uma bandeira com a Cruz de Cristo.
Capitão Cada nau da armada tinha um capitão e todos obedeciam o capitão-mor.
Piloto Traçava as rotas usando bússola, quadrante, astrolábio. Dava instruções ao homem do leme. Também lhe competia fazer o diário de bordo.
Mestre Chefiava a tripulação.
Marinheiros Içavam e arreavam velas, lançavam âncoras, deitavam os botes ao mar, etc. Alguns tinham profissões especializadas como carpinteiros, timoneiros ou homens do leme, trinqueiros ou especialistas em consertar velas.
Grumetes Eram rapazes de dez ou doze anos que embarcavam para aprender a profissão de marinheiro.
Cirurgião-barbeiro Tratava doentes, cortava cabelos e barbas.
Padre-capelão Dizia missa, confessava, organizava cerimônias religiosas.
Dispenseiro Tomava contas da despesa e distribuía os alimentos.
Escrivão Fazia os registros escritos sobre a carga, compras, vendas, impostos do rei.
Condestável Chefe dos militares.
Bombardeiros Disparavam os canhões.
Soldados Lutavam com espadas ou armas de fogo.
Funcionários Homens que não tinham tarefas a bordo. Iam como passageiros para ocuparem cargos ao serviços do rei nas terras descobertas.





Durante o dia:

Cada um desempenhava as suas tarefas, faziam-se turnos para descansar, para comer, para participar das cerimônias religiosas.
Quando o mar estava calmo e as horas livres se multiplicavam, organizavam-se teatros, procissões, jogos, touradas simuladas.


Durante a noite:

Dormia-se por turnos. Havia sempre alguém de serviço ao relógio da areia - a ampulheta - para não perderem a noção do tempo.


A higiene:

Como não havia banheiros, os homens faziam as necessidades num balde que despejavam no mar. E como também não existia nada que se parecesse com papel higiênico, usava-se sempre uma corda que ia sempre suspensa e com a ponta desfiada dentro da água. Quem precisasse puxava o "pincel encharcado", limpava-se e repunha-o no seu lugar.