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A PARTIDA PARA A VIAGEM
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
No dia 8 de março de 1500, a armada de Pedro Álvares Cabral estava pronta
para partir rumo à Índia. Carga, mantimentos, armas, munições, instrumentos
de navegação, os objetos pessoais dos marinheiros, as velas sobressalentes,
tudo arrumado, tudo a postos.
Faltavam só as despedidas. E as despedidas foram lindas! Houve missa solene
em Santa Maria de Belém e depois o rei D. Manuel I entregou ao capitão-mor
Pedro Álvares Cabral a bandeira com as armas reais e uma outra, de fundo
branco com a Cruz de Cristo em vermelho, para ser hasteada no mastro da nau
capitânia. A multidão reunida na praia do Restelo comoveu-se.
Houve muitos abraços e beijos, acenos, lágrimas, palavras de encorajamento
para quem partia e para quem ficava. E os botes num vaivém, a levarem
homens do cais para os treze navios ancorados no rio Tejo.
Quando chegou a vez do capitão-mor, foi o próprio rei que o acompanhou pela
areia até molhar as solas das botas. Conta-se que lhe segredava umas
últimas recomendações. O que diziam, o que não diziam, ainda hoje se
discute.
Na manhã seguinte, uma segunda-feira luminosa, Lisboa despovoou-se. Toda
a gente queria assistir à largada. Homens, mulheres e crianças encheram o
cais, espalharam-se pela praia e subiram às colinas a dizer adeus.
Soprava um vento morno que fez inchar as velas. Os navios partiram,
sulcando as águas salgadas do imenso Oceano Atlântico que, entre ventos
e tempestades, lhes reservava uma surpresa bem doce...

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