NAS VÉSPERAS DA GRANDE VIAGEM

Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede


Em 1500, o rei de Portugal era D. Manuel I e Vasco da Gama tinha descoberto o caminho marítimo para a Índia, terra de sonho onde se podiam obter riquezas imensas por bom preço. Nos mercados indianos havia pedras preciosas e pérolas com fartura, sedas magníficas, louças de porcelana, objetos de prata e ouro finamente trabalhados e sobretudo as cobiçadas especiarias. Pimenta, canela, noz moscada, cravo, gengibre e outros temperos, hoje vulgares em todo o mundo mas que naquela época eram uma grande raridade. As especiarias chegavam à Europa depois de longas viagens que incluíam a travessia do deserto em caravanas de camelos por isso eram caríssimas.

Rota para 
as Índias

Os portugueses ansiavam por fazer comércio direto com os indianos. Mas Vasco da Gama informara o rei que não seria fácil porque os árabes já por lá andavam havia muito tempo. Eram eles que faziam esses negócios, não queriam concorrência, estavam dispostos a lutar para expulsar os intrusos portugueses que tinham descoberto uma nova rota entre a Europa e a Índia.

Apesar das dificuldades, D. Manuel I não desistiu do projeto. Mandou preparar uma armada como nunca antes se vira. Quis que os navios tivessem o dobro do tamanho dos anteriores, equipou-os com as melhores armas, incluindo potentes canhões. Chamou mil e quinhentos homens, tendo o cuidado de selecionar os mais aptos. Soldados com prática de guerra, marinheiros com prática de mar, os pilotos e os capitães mais famosos do seu tempo.

Se decidira tornar-se senhor do comércio do Índico, nada podia ser deixado ao acaso. Para comandar esta armada era necessário um homem com grandes qualidades. Tinha que ser corajoso, determinado, rápido a tomar decisões, capaz de se fazer obedecer nas mais variadas circunstâncias. Um homem de prestígio, militar destemido, hábil diplomata. Quem havia de ser?

O rei escolheu Pedro Álvares Cabral e escolheu muito bem. Não podia era adivinhar que o nome do comandante ficaria ligado a um tesouro bem mais valioso do que as preciosidades do Oriente... O Brasil.

A armada