Em 1500, o rei de Portugal era D. Manuel I e Vasco da Gama tinha descoberto
o caminho marítimo para a Índia, terra de sonho onde se podiam obter
riquezas imensas por bom preço. Nos mercados indianos havia pedras
preciosas e pérolas com fartura, sedas magníficas, louças de porcelana,
objetos de prata e ouro finamente trabalhados e sobretudo as cobiçadas
especiarias. Pimenta, canela, noz moscada, cravo, gengibre e outros
temperos, hoje vulgares em todo o mundo mas que naquela época eram uma
grande raridade. As especiarias chegavam à Europa depois de longas viagens
que incluíam a travessia do deserto em caravanas de camelos por isso
eram caríssimas.
Os portugueses ansiavam por fazer comércio direto com os indianos. Mas
Vasco da Gama informara o rei que não seria fácil porque os árabes já por
lá andavam havia muito tempo. Eram eles que faziam esses negócios, não
queriam concorrência, estavam dispostos a lutar para expulsar os intrusos
portugueses que tinham descoberto uma nova rota entre a Europa e a Índia.
Apesar das dificuldades, D. Manuel I não desistiu do projeto. Mandou
preparar uma armada como nunca antes se vira. Quis que os navios tivessem
o dobro do tamanho dos anteriores, equipou-os com as melhores armas,
incluindo potentes canhões. Chamou mil e quinhentos homens, tendo o cuidado
de selecionar os mais aptos. Soldados com prática de guerra, marinheiros
com prática de mar, os pilotos e os capitães mais famosos do seu tempo.
Se decidira tornar-se senhor do comércio do Índico, nada podia ser deixado
ao acaso. Para comandar esta armada era necessário um homem com grandes
qualidades. Tinha que ser corajoso, determinado, rápido a tomar decisões,
capaz de se fazer obedecer nas mais variadas circunstâncias. Um homem de
prestígio, militar destemido, hábil diplomata. Quem havia de ser?
O rei escolheu Pedro Álvares Cabral e escolheu muito bem. Não podia era
adivinhar que o nome do comandante ficaria ligado a um tesouro bem mais
valioso do que as preciosidades do Oriente... O Brasil.
