Manuel Marques
er terra de Pedro Álvares Cabral. É o que faz Belmonte mais consciente e
orgulhosa do seu valor, história e cultura.
O povo reclama-o e toma-o como seu. Convém notar que, para o povo de
Belmonte, Cabrais são Cabrais e Pedro Álvares Cabral é algo a parte, é "o
Pedro". Assim lhe chama o povo, como se fosse seu, e é. Como também o são
a imagem da Senhora da Esperança que o acompanhou na descoberta do Brasil
e o Castelo onde nasceu.
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É claro que, com a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral, Belmonte
sente também como sua a glória - que até políticos e reis demoraram a
perceber - de terem feito a maior descoberta de Portugal: o Brasil.
Esta é a terra de gente tão heróica e esforçada como os grandes
heróis que aqui nasceram e daqui partiram. É uma história que está no
sangue da gente. É uma história que ainda se pode ler nas ruas, na gente,
nas lendas, e mesmo nas crônicas e na própria história, apesar de, por
norma, esta só se referir a grandes fatos e seus protagonistas.
Em Belmonte avultam grandes monumentos entre outros menores, mas todos são
igualmente importantes quando falam da história do povo que aqui viveu e
vive.
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Terra de monumentos, alguns ainda soterrados e que só são lembrados quando
ligados às lendas ainda hoje contadas.
Por ser terra de lenda, de história jogada entre o certo e o incerto, de
história que muitas vezes se nos apresenta cheia de autenticidade e
surpresa, e de monumentos tão intrincados ... que nos envolvem e espantam
- é fácil deixarmo-nos encantar por Belmonte.
É movido por este encanto que me tomou, e por aquilo que classifico de
certeza com que o povo de Belmonte afirma que "o Pedro é seu", que
escrevo mais uma vez sobre Belmonte, terra natal de Pedro Álvares Cabral.
Aqui, o herói nunca foi esquecido.
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Ter ido para a Corte, ainda muito novo, como alguns
afirmam, estar lá com
certeza aos dezesseis anos para ser da criação do Infante e depois de
el-rei, em nada Belmonte perde. É como os estudantes que ainda hoje saem
da sua terra para estudar, às vezes para seguir uma carreira, e que nunca
perdem a ligação da nascença à sua terra.
Mas nos instiga a pergunta:
- O que pode Belmonte ter influenciado o nosso herói?
Belmonte estava cheio de testemunhos da sua família.
Belmonte tinha testemunhos em pedra viva, da estratégia e guerra que as
mudanças de Senhorio para Senhorio da alcaidaria, de terras, honras, e
rendas provocaram até chegarem às mãos dos Cabrais.
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O próprio Castelo, que no tempo de seu bisavô foi reconstruído só para
defesa, por ordem do Infante D. Henrique Senhor da Vila, agora era
residência do alcaide, seu pai, seria residência de seu irmão, João
Rodrigues Cabral, que o sucederia na alcaidaria.
E Pedro veria que as necessidades de defesa se tinham deslocado para uma linha
mais perto da fronteira, e que não era a fronteira que mais preocupava, mas
o ideal da expansão.
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Via que era ali que os Cabrais continuavam a recrutar homens e mantimentos
para empresas na África e no Oceano, como tinha vindo já a ser a vida dos
fidalgos de família.
E terá visto como, do cimo do castelo se divisavam terras sem fim, umas
ricas e outras bem sáfaras, via como os homens e
mulheres do campo
conseguiam tirar dessas terras mais pobres
os rendimentos. Acharia
preciosos os cabritos e o queijo e as prebendas que lá iam dar à família.
Muitas eram as terras de seu pai, que ele percorria, a cavalo, em treino e
em reconhecimento de seu termo e dos homens que aí trabalhavam... E,
provavelmente, achava tudo natural, até que as muitas terras não viessem a
ser herdadas por ele.
O que lhe diria a existência de povoamento nestas terras, desde os tempos
dos Romanos, desde a Idade do Bronze, ou
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desde os Tempos Megalíticos?
A sua sina estava apontada e escrita desde Belmonte.
(Ainda hoje lá está!...)
E a estátua que Pedro Álvares Cabral tem em Belmonte, curiosamente, não
está virada para o mar, nem para o belo vale do rio Zêzere. Está voltada
para a parte da vila que na quase totalidade já existia no tempo em que ele nasceu.
Nisto parece fácil descobrir uma influência na vida de Pedro Álvares
Cabral.
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