chegada dos portugueses a Ceuta, no norte da África, marca o início dos Grandes Descobrimentos.
O início da expansão dos portugueses pelo mundo foi a conquista de Ceuta em 21 de agosto de 1415. Esta data é muito importante pois, a partir daí, os portugueses começaram a explorar o litoral africano para o sul de Marrocos e a aventurar-se cada vez mais para o ocidente, no Oceano Atlântico.
Ceuta é uma cidade do norte de África situada no Estreito de Gibraltar, à entrada do Mediterrâneo. De origem remota, a cidade atingiu uma certa notoriedade já na época romana.

No Século VIII foi dominada pelos muçulmanos que a desenvolveram como importante centro mercantil, aproveitando-se da sua excelente posição estratégica entre o Atlântico e o Mediterrâneo, por um lado, e entre Marrocos e a Europa, por outro.
Terá sido em grande parte devido a essa importância estratégica e econômica, aumentada a partir dos Séculos XIII e XIV, que os portugueses decidiram conquistá-la no início do Século XV. A explicação de tal iniciativa não é fácil, pois resulta de fatores de natureza diversa que entre si se conjugam.
Portugal estava em paz com o reino de Castela desde 1411. D. João I aproveitou esse fator favorável, bem como as forças sociais de uma nova nobreza ambiciosa e belicosa - que ficava desocupada e poderia constituir motivo de agitação interna - para realizar uma grande expedição militar cujo destino permaneceu secreto durante muito tempo.

A realização de um grande feito de armas traria prestígio a quem a dirigisse e dela participasse. Era o caso de D. João I que, sendo filho bastardo de D. Pedro I, fora eleito rei nas cortes de Coimbra em 1385 e que ficara devendo a sua coroa à vontade popular. Para se afirmar no contexto internacional com uma ação de prestígio decidiu promover a conquista de Ceuta, durante a qual combateria os inimigos islâmicos. Teria também a oportunidade de tornar cavaleiros os seus filhos mais velhos, que eram os principais entusiastas do empreendimento, sobretudo o Infante D. Henrique.
Estes fatores foram os mais importantes para o rei e os seus conselheiros, juntamente com outro, decisivo: a questão econômica. Os saques à cidade seriam vantajosos, já que Ceuta era um centro mercantil de grande importância e riqueza.

Era grande o comércio praticado pelos navios que passavam pelo estreito de Gibraltar e produtos valiosos, como o ouro, entravam na cidade através de caravanas que vinham de vários pontos de África.
Numa primeira fase, a burguesia chegou a interessar-se.Além do espírito de guerra santa de cruzada, o empreendimento poderia revestir-se de aspectos econômicos proveitosos. Depois da conquista, em 1415, a burguesia verificou o que era facilmente previsível: nas mãos dos portugueses, Ceuta deixou de realizar o comércio que fazia

anteriormente. Uma das principais funções passou a de ser um porto de onde saíam corsários portugueses que atacavam navios de muçulmanos, depois de os portugueses terem acabado com o barcos piratas dos muçulmanos que atacavam as costas do Algarve.
Uma poderosa armada composta de cerca de 200 navios e transportando uns 20.000 homens partiu de Lisboa em 25 de Julho de 1415 e conquistou sem grandes dificuldades a cidade no dia 21 de agosto. O seu primeiro capitão foi D. Pedro de Meneses, cujo túmulo se encontra junto ao de Pedro Álvares Cabral na Igreja da Graça, em Santarém.
A manutenção de Ceuta foi sempre muito dispendiosa. Eram necessárias grandes obras de fortificação e um permanente corpo de tropas para defesa. Além disso, grandes eram as baixas que resultavam das lutas freqüentes que tinham por palco aquela região, pois a presença dos portugueses sempre

foi hostilizada pelos mouros. Ceuta servia sobretudo de uma vasto campo de treino militar da nobreza e para lá eram enviadas pessoas que deviam cumprir penas judiciais.
Depois da Restauração em Portugal contra o rei Filipe IV de Espanha, ocorrida em 1 de dezembro de 1640, o governador de Ceuta manteve-se fiel ao rei espanhol. A partir desta data, deixou de estar sob a soberania portuguesa, embora mantenha no seu brasão as armas de Portugal e as cores do brasão de Lisboa.