A FAMÍLIA DE PEDRO

A família Cabral é muito ilustre, muito antiga e está profundamente ligada à História e aos reis de Portugal.



A primeira vez que este sobrenome aparece, refere-se a Pedro Anes Cabral, que no ano de 1271 prestava serviço na corte de D. Afonso, rei que conquistou definitivamente o Algarve, última parcela do território a ser arrebatada aos mouros. Assim, quando Portugal ganhou a forma que ainda hoje tem, já andava um Cabral circulando na corte.

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Aires Cabral Álvaro Gil Cabral Luís Álvares Cabral



Fernão Álvares Cabral D. Tereza Fernão Cabral D. Isabel Golveia





Aires Cabral, o «Muito Pão» - o tetravô
No tempo do rei D. Dinis, o alcaide de Portalegre era Aires Cabral. Em 1287 estalaram lutas bastante violentas na região, mas os inimigos não conseguiram forçar a entrada no Castelo de Portalegre. Então cercaram as muralhas e um dos atacantes gritou ao alcaide.

- Ou entregas já o castelo, ou acampamos aqui até te renderes pela fome.

D. Aires, apesar da falta de mantimentos, respondeu do alto de um torreão com voz firme:

- Aqui só entram por cima do meu cadáver. E pela fome não me rendo, pois tenho muito pão!

O eco repetiu as últimas palavras, espalhando-as pelos campos e desmoralizando os inimigos.

O alcaide ganhou o apelido de «Muito Pão». Mas se ainda hoje se conta este episódio é porque D. Aires foi o tetravô de Pedro Álvares Cabral.


Álvaro Gil Cabral - o trisavô

No ano de 1383 os portugueses correram o risco de perder a independência porque o rei D. Fernando morreu, deixando apenas uma única filha, casada com o rei de Espanha. Se ela subisse ao trono, Portugal uniria-se ao país vizinho. Que fazer? O povo não pensou duas vezes: anunciou que a coroa seria entregue a D. João Mestre de Avis, irmão bastardo do falecido rei.

Como seria de esperar, os espanhóis não se conformaram e houve uma série de lutas sangrentas. A batalha decisiva desenrolou-se nos campos de Aljubarrota. Os portugueses eram em menor número mas lutaram com a força de quem quer dominar o destino e venceram.

D. Álvaro Gil Cabral participou na batalha de Aljubarrota e foi generosamente recompensado pelo novo rei, D. João I.

Este trisavô de Pedro Álvares Cabral, que já era um homem rico e importante, ficou riquíssimo e importantíssimo. A lista dos seus cargos, propriedades e direitos é impressionante. Alcaide-mor de Belmonte e da Guarda. Senhor de Azurara da Beira, de Moimente da Serra e de Santo André. Recebedor dos impostos pagos pelos habitantes da cidade da Guarda, de Folhadela e de várias povoações na região de Viseu.



Luís Álvares Cabral - o bisavô


Em 1415, os portugueses conquistaram aos mouros a cidade de Ceuta, no norte da África. Como foi a primeira vez que se aventuraram fora da Europa, considera-se que a data marca o início da época em que se expandiram, descobrindo terras pelo mundo inteiro.

O rei e os príncipes participaram na conquista de Ceuta. E Luís Álvares Cabral também. Lutou ao lado do príncipe que três anos depois tomou a iniciativa de começar a enviar navios em busca de novas terras, o Infante D. Henrique.





Fernão Álvares Cabral - o avô

Segundo consta, Fernão nasceu no castelo de Belmonte e tornou-se um homem tão alto, tão musculoso e tão forte, que o povo lhe chamava com admiração «o Gigante da Beira».

Casou com uma senhora nobre, Dona Teresa de Novaes de Andrade.


Fernão Cabral - o pai

Fernão Cabral, alcaide do castelo de Belmonte, prestou tão bons serviços na vigilância e defesa da fronteira com a Espanha, que ganhou recompensas e foi sempre recebido na corte com apreço, respeito e amizade.

Casou com uma senhora nobre, Dona Isabel Gouveia, que trouxe para a família várias propriedades e a alcaidaria (governo militar) de Castelo Rodrigo.

O casal teve 11 filhos. Isso permite pensar que ambos gozavam de excelente saúde e eram felizes.