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CABRAL NO ÍNDICO
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
A tempestade que se abateu sobre a armada ao largo do Cabo da Boa
Esperança teve um efeito arrasador no espírito dos marinheiros.
Cansados, desanimados, queriam voltar para casa. Mas o capitão-mor,
com a sua coragem, devolveu-lhes o ânimo e prosseguiu rumo à Índia. -
Cabral era dominador.
Os navios tinham ficado bastante danificados, por isso o capitão-mor
resolveu parar em Sofala e mandou fazer as reparações necessárias. -
Cabral era sensato.
Navegando no Oceano Índico, a armada defrontou-se com muitos inimigos e
ainda junto à costa da África o capitão-mor aprisionou homens. Mas
verificando que um deles era tio do rei de Melinde com quem Vasco da
Gama fizera um pacto de amizade na viagem anterior, libertou-o de
imediato e mandou-o em paz com saudações para a corte. - Cabral era
diplomata.
Chegado à Índia, o capitão-mor deu início às conversações com o
samorim da
cidade de Calecute e obteve a autorização desejada para comercializar e o
direito de utilizar um armazém junto à praia como ponto de encontro e local
de trocas. - Cabral era um bom negociador.
Os mouros não queriam concorrência nos negócios com os indianos e
conspiraram para prejudicar os portugueses. O capitão-mor não hesitou em
fazer funcionar os canhões que levava a bordo e sempre que lhe pareceu
oportuno gritou "fogo!" - Cabral era destemido.
Enquanto se manteve ancorado junto a Calecute, o capitão-mor adoeceu
gravemente. Apesar das febres altas e do profundo mal-estar, nunca
abandonou o comando nem as conversações e também não virou costas à
luta. - Cabral era enérgico.
Em Calecute tudo se complicou mas nem por isso o capitão-mor desistiu.
Zarpou direto a Cochim, depois a Canamore e nas duas cidades efetuou
belíssimos negócios. - Cabral era persistente.
Em Coulão governava uma rainha simpática. O capitão-mor caiu-lhe nas graças
e quando se despediu a armada tinha os porões a abarrotar de preciosidades.
- Cabral era um homem charmoso.
O rei D. Manuel I soubera fazer a escolha. Só um capitão-mor com tantas
qualidades podia ter descoberto o Brasil!

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