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O GIGANTE ADAMASTOR
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
Depois da descoberta do Brasil, Pedro Álvares Cabral conduziu a sua armada para a Índia
conforme estava previsto. A viagem seria muito longa e teriam de enfrentar perigos
conhecidos e desconhecidos. Mas um dos piores obstáculos seria com certeza o Cabo da
Boa Esperança. Alguns anos antes, um ousado navegador chamado Bartolomeu Dias atingira
finalmente o extremo sul da África, sendo o primeiro a passar das águas do Atlântico
para as águas do Índico. As notícias que trouxe ao regressar a Portugal provaram sem
margem para dúvidas que os dois oceanos tinham passagem entre si e que nenhuma barreira
física impedia a trajetória dos navios. Essa façanha representou uma espécie de vitória
do homem sobre a Natureza, pois a região é de correntes e ventos fortes, de tempestades
violentas, súbitas e traiçoeiras. Os homens tinham medo, tanto medo, que um poeta (Luís
de Camões, talvez o maior dos poetas) imaginou existir na ponta sul da África um gigante
o terrível Adamastor, ansioso para se vingar por ter sido derrotado na missão de proteger
os oceanos.
Bartolomeu Dias era um dos capitães da armada de Cabral. E o gigante Adamastor estava alerta,
lá isso estava, pois quando os navios se aproximaram do Cabo da Boa Esperança foram apanhados
no torvelinho de uma tempestade horrenda. As nuvens abriram-se em fogo, raios luminosos
tornaram o céu roxo desaparecendo no imenso fragor da trovoada para logo voltarem com mais
força ainda. Ondas gigantescas elevaram as embarcações a alturas inacreditáveis para as
precipitarem depois no fundo do abismo com as velas rasgadas, mastros partidos, rombos no
casco. Os homens agarravam-se a tudo o que oferecesse resistência para não serem jogados ao
mar e gritavam em desespero, julgando que chegara o fim.
Quatro navios afundaram mesmo. O próprio capitão-mor esteve em riscos de perder a vida porque
a nau em que viajava embateu contra a de Simão Miranda. Mas salvaram-se ambos. O gigante
Adamastor nada pôde contra Pedro Álvares Cabral!

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