
viagem da armada do capitão-mor Pedro Álvares Cabral passou à História
porque, no seu decurso, o Brasil foi descoberto. Ainda assim não podemos
esquecer que ela foi de fato a primeira viagem da Carreira da Índia,
durante a qual armadas saídas de Lisboa seguiam anualmente pela rota do
cabo da Boa Esperança rumo ao oceano Índico.
Neste contexto, um dos aspectos a considerar na História de Cabral foi o de
que a sua missão, se teve o centro das ações na Índia, mais concretamente
em Calecut e foi a primeira a ir a Cochim e Cananor, teve também
importantes
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contatos com vários pontos de África.
Na sua rota para o cabo da Boa Esperança, a armada seguiu inicialmente para
os arquipélagos das Canárias, por onde passou no dia 14 de março, e depois,
para o de Cabo Verde, tendo passado pela ilha de São Nicolau em 22 de
março, sem que fosse considerado necessário fazer aí escala.
Depois de ter ficado no Brasil entre 22 de abril e 2 de maio de 1500, a
armada continuou a viagem com o objetivo de chegar ao sul de África e à
angra de São Brás, a oriente do cabo da Boa Esperança, tal como havia sido
indicado nas instruções que Vasco da Gama dera a Cabral. Isso não aconteceu
por causa da trágica tempestade que se abateu sobre a armada no dia 24 de
maio, depois de passarem as ilhas de Tristão da Cunha. Quatro navios
afundaram e os restantes foram dispersados.
Cabral só voltou a ver terra muito tempo depois de ter passado
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o cabo da
Boa Esperança - sem tê-lo visto. Isso aconteceu no dia 16 de julho, quando
chegou a uma região que corresponderá à ponta da Pescaria, na costa do
Natal, África do Sul. Depois de aí terem pescado e explorado a costa que
continuava para o norte, chegaram às ilhas Primeiras, em Moçambique. Aí
tiveram um contato com dois navios que pertenciam ao tio do rei de Melinde,
que tinham ido a Sofala. Cabral não os molestou, depois de saber que
pertenciam àquele reino, que havia estabelecido boas relações com Vasco
da Gama quando ele por lá passara em 1498 e 1499.
A escala seguinte da armada foi realizada na ilha de Moçambique, onde
chegaram no dia 20 de julho. Aí voltaram a reabastecer-se de água, lenha
e alimentos frescos de forma a poderem seguir viagem, com o objetivo de
estabelecerem contatos com o reino muçulmano mais importante que ali se
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encontrava: o de Quiloa.
Vasco da Gama não chegou à Quiloa, em sua viagem. Cabral lá chegou no dia
26 de julho e tentou pela primeira vez estabelecer uma base pacífica para
permutas comercias com esse reino. Depois de se ter encontrado no mar com
o rei local, não foi possível chegar a um acordo, por desinteresse do
monarca africano. Cabral decidiu então continuar a viagem sem hostilizá-lo.
Foi em Quiloa que três outros navios sobreviventes da armada se juntaram a
Cabral e aos dois navios que o acompanhavam. Os seis seguiram reagrupados
para a escala seguinte, Melinde, onde chegaram no dia 2 de agosto. O rei
local continuou a manifestar a mesma boa relação que já havia expresso
quando da passagem de Vasco da Gama por ali em 1498 e 1499. Colocou à
disposição de Cabral, para levá-lo à Índia,
um
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piloto indiano do Guzarate.
A viagem foi iniciada no dia 7 de agosto.
Quando a armada de Cabral veio da Índia e se aproximou da costa oriental de
África, a nau El-rei,
de que era capitão Sancho de Tovar, naufragou, em 12
de fevereiro de 1501, junto à costa antes de Melinde. Os tripulantes
conseguiram salvar-se, mas a nau e sua preciosa carga perderam-se.
Em seguida, a armada fez nova escala na ilha de Moçambique, onde os navios
sobreviventes foram limpos e reabastecidos, permitindo aos homens de Cabral
continuar a viagem. No dia 4 de abril, a armada passou pelo cabo da Boa
Esperança de onde seguiu para o cabo Verde, tendo feito a última escala
de reabastecimento na então chamada angra de Bezeguiche (próximo de Dacar).
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