processo histórico dos descobrimentos e da expansão dos portugueses por todo o Mundo se deu de forma diversificada, de acordo com os lugares para onde foram e com o período em que o fizeram.
De forma simplificada, podemos considerar que a expansão dos portugueses pelo Mundo teve por característica básica a ocupação muito dispersa de posições junto ao litoral de quase todos os continentes.
O avanço para o interior ocorria em raras ocasiões, quando os objetivos eram a exploração de riquezas

naturais - como nos casos do Brasil e de algumas regiões de África - e a realização de missões religiosas ou diplomáticas na Ásia. Podemos considerar que a estruturação das ações além-mar dos portugueses podem ser inseridas com mais propriedade no conceito de talassocracia de que no conceito clássico de império. Este esteve mais próximo da concepção espanhola, pois a ação dos castelhanos visou fundamentalmente a ocupação de vastos espaços no interior do continente americano, tendo desintegrado violentamente Estados existentes, como os casos da destruição dos impérios Inca e Asteca.
A noção de talassocracia prende-se ao poder que os portugueses tiveram em vários pontos próximos da costa, de forma a dominar os mares e a sua navegação. Eles dependiam das ligações marítimas que mantinham com seu

próprio país e com as várias posições que ocupavam no litoral, pois o interior era habitado por populações muito numerosas que eles não tinham capacidade para dominar.
Além do denominador comum da dispersão e da litoralidade, os portugueses tiveram três tipos de atitudes fundamentais no decurso da sua expansão:
1. O início da expansão portuguesa, ainda no período medieval, visou à ocupação pela força de cidades em Marrocos, que foram mantidas graças a um considerável esforço militar e à construção de fortes estruturas defensivas. Foi o que aconteceu desde Ceuta, conquistada em 1415, até a fortificação de Mazagão, que se manteve até 1739.
Ocupações de cidades após conquista verificaram-se em poucos casos na Ásia, onde se centraram as

atenções portuguesas no século XVI. Os exemplos mais importantes foram o de Goa e Malaca, a primeira em 1510, contra os muçulmanos - que a tinham conquistado aos hindus em 1471- e a segunda em 1511, por as autoridades locais hostilizarem os portugueses e se recusarem a negociar com eles. 2. A situação mais comum na expansão portuguesa, tanto na África quanto na Ásia, nos séculos XV a XVII, foi a dos portugueses negociarem com os poderes locais a autorização do estabelecimento de feitorias para a realização de operações mercantis. Para assegurar a segurança dos que lá ficavam, eram também negociadas autorizações mediante tratados de paz para a construção de fortalezas. Foi o que aconteceu em inúmeros casos, como em Cochim, Cananor, Coulão, Diu, etc. Tal

situação já se verificara na África com a construção da fortaleza de São Jorge da Mina em 1482. O mesmo aconteceu com outros locais como Macau e Nagasaqui, onde só na primeira cidade, e muito tardiamente, foram construídas estruturas defensivas para resistência contra os ataques dos holandeses.
3. A terceira atitude dos portugueses, que se diferenciou das ocupações militares e da fixação para a realização de operações mercantis, foi o povoamento de territórios desertos ou pouco povoados. O estabelecimento visava criar condições de vida idênticas às de Portugal, mediante a exploração de bens que se produziam com grandes vantagens nesses locais. É nessa dinâmica de povoamento que ocupa um lugar privilegiado a produção e comercialização de

açúcar e de outros produtos. Estamos diante de uma economia de base produtiva e não apenas de natureza mercantil, como acontecia no Oriente. Esta realidade verificou-se inicialmente no século XV em ilhas do Atlântico que estavam desertas, como a Madeira, os Açores, Cabo Verde e São Tomé e depois, nos séculos XVI e XVII, com uma dimensão muito superior na fixação de portugueses em larga escala no Brasil.
Outra característica fundamental da expansão dos portugueses pelo mundo é a de que ela precedeu todas as outras por muitos anos. Exceto a Espanha, cuja expansão se iniciou de fato em 1492, a espansão dos franceses, ingleses e holandeses só foi iniciada em períodos muito adiantados do século XVI. Os holandeses, por exemplo, só cem anos depois de Vasco

da Gama é que começaram a se dirigir com armadas para o Oriente.
Nos Descobrimentos Portugueses, eram claras as instruções superiores desde 1446, segundo as quais não se podia agir contra populações estabelecidas nos locais para onde se dirigiam, como se viu na África, no Brasil e na Ásia. Só agiam violentamente usando como recurso sua superioridade naval e de armamento contra aqueles que provocavam incidentes e desde o momento em que se verificavam alvo de agressões. Tais princípios foram cumpridos de maneira geral, tendo apenas a assinalar a situação relativa a uma política mais agressiva contra poderes muçulmanos, por eles tradicionalmente serem inimigos dos cristãos.

Tembetás