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DIAS FELIZES
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
Enquanto estiveram ancorados junto à costa brasileira, os navegadores
da armada de Cabral ficaram mergulhados numa espécie de sonho coletivo.
A terra era linda demais e aquela gente de cor parda com suas exóticas
pinturas, seus enfeites de osso e penas, movendo-se à vontade no mundo
sem temor a Deus nem terror do diabo, fazia-lhes perder a cabeça.
Pedro Álvares Cabral percebeu com certeza os desejos da tripulação e
talvez ele próprio lamentasse ter de continuar rumo à Índia. Não o disse,
claro. No entanto, depois do primeiro passeio que fez pelo rio acima,
apressou-se a reunir com os outros capitães e propôs enviarem de volta
para Lisboa a nau comandada por Gaspar de Lemos que transportava os
mantimentos. Parecia-lhe urgente que o rei recebesse a notícia da
descoberta. Não tinham encontrado nem vestígios de ouro ou prata,
mas aquela era uma terra cheia de promessas e não havia tempo a perder.
O rei tinha que mandar rapidamente outra armada para um reconhecimento
mais completo. Toda a gente concordou. Então Pedro Álvares Cabral, que
nunca deixava nada ao acaso, quis vigiar pessoalmente o complicadíssimo
transbordo de sacas, barris e animais vivos, de modo a garantir uma
distribuição equilibrada pelas naus restantes. Ao mesmo tempo era preciso
organizar as saídas de rotina para cortar lenha, pescar, encher barris de
água doce. E organizar também as incursões junto aos índios destinadas a
obter uma primeira leva de conhecimentos, matéria para a carta que Pero
Vaz de Caminha havia de escrever ao rei de Portugal
- Há ouro! - pensaram todos os portugueses - Ouro!
Na intenção de evitar mal-entendidos ou conflitos, Cabral selecionou
cuidadosamente as equipes. Um dos homens chamados para esta delicada missão
foi Diogo Dias, porque já dera provas de ser hábil nas relações humanas.
Cantando e dançando, punha toda a gente a cantar e a dançar. Saberia atrair
a confiança dos índios. Pero Vaz de Caminha também participou nessas idas e
vindas, por vezes ao lado do capitão-mor, que desembarcava sempre que os
afazeres lho permitiam. Os dois regressavam a bordo verdadeiramente
encantados e muito ansiosos pela feliz azáfama do dia seguinte!

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