endo muito provável que Pedro Álvares Cabral tenha nascido em Belmonte,
talvez em 1468, o que é certo é que ele veio a viver grande parte da sua
vida em Santarém, a capital do Ribatejo.
Não sabemos se ele já vivia ou teria vivido em Santarém antes de realizar
a viagem que o imortalizou em 1500. Santarém era a povoação portuguesa mais
importante depois de Lisboa, Porto e Évora, onde a corte se reunia com
freqüência. Em 1527, tinha perto de 9.000 habitantes. É possível que
Cabral, tal como o seu irmão Luís Álvares Cabral, que também viveu em
Santarém, tivesse herdado bens nesta vila pertencidos a sua mãe, D.
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Isabel
de Gouveia que, por sua vez, os recebera do seu irmão João de Gouveia, que
tinha casado com Leonor Gonçalves, senhora com propriedades importantes na
capital do Ribatejo.
O que se pode considerar como certo é que Cabral viveu em Santarém após
regressar da sua longa e difícil viagem ao Brasil e à Índia, depois de se
ter malogrado a possibilidade de comandar a armada que em 1502 partiu
para a Índia sob o comando de Vasco da Gama.
Foi em Santarém que ele se casou, em 1503, com D. Isabel de Castro, cuja
família, de longa data, ali tinha interesses. Cabral lá viveu até a sua
morte, provavelmente em 1520.
São poucos os testemunhos históricos que documentam a sua presença em
Santarém. Dois dos mais importantes datam de 1509. O primeiro é uma carta
de D. Manuel, de 18 de
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fevereiro, e consiste num documento de circunstância,
que poderá ser resposta a algum pedido de colaboração oferecido por Cabral
ao rei, no qual este se limita a confirmar-lhe privilégios. Pedro Álvares
Cabral é aí referido como "morador em a vila de Santarém, fidalgo de nossa
casa", e é justificado de forma vaga e não especificada "per quanto está
prestes para nos tornar de servir com seus cavalos e armas e homens nas
guerras quando lhe per nosso serviço mandarmos". Tanto quanto podemos saber
pela documentação conhecida, não foi provado que Cabral tenha voltado a
estar a serviço do rei.
Um documento de 17 de dezembro de 1509 nos revela ter Cabral trocado
propriedades que tinha no local do Pereiro, em Santarém, por "uma quinta
do Rossaio", ou Rossairo, que fica ao sul da calçada de Santa Clara, num
vale entre Santarém e a sua
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parte baixa, a Ribeira de Santarém. Poderia
ter sido aí que ele viveu algumas vezes a partir dessa data, mas também
teria uma casa na parte central da vila, mais propriamente na freguesia
de Marvila, em local junto à igreja da Graça, onde ele seria sepultado
depois de, em 1529, sua esposa ter comprado uma capela para receber o
jazigo da sua família.
A casa onde Cabral teria vivido em Santarém talvez seja aquela que está
referenciada por um documento de 21 de junho de 1560 relativo a bens
pertencentes a D. Margarida da Silva, viúva de Fernando Álvares Cabral,
filho mais velho de Pedro Álvares Cabral, falecido em 1554. No documento
assinala-se que a nora de Cabral vendia aos frades agostinhos da igreja
da Graça "o restante das suas casas (…) tudo junto ao convento com que
partiam de uma banda e da outra com travessa que vai por detrás
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das ditas
casas e do Convento para Alfange". Tais casas estão relacionadas com
outros bens mencionados num documento de 16 de julho de 1558, onde a mesma
senhora aludia à doação que fizera de um pedaço da barroca que se
encontrava por detrás dos quintais das suas casas, o qual "vai correndo
para baixo até entestar na água da rigueira do chafariz del Rei", que se
encontra a poucas dezenas de metros ao sul da igreja. Além destas
propriedades ela ainda tinha, em 16 de dezembro de 1568, duas casas
térreas em frente da portaria do Convento que estava anexo ao sul da
referida igreja, as quais então vendeu aos frades agostinhos. Se D.
Margarida herdou a casa do marido e este por sua vez a herdou do pai,
tal casa poderia ser aquela onde viveu Pedro Álvares Cabral, também
referenciada em outro documento, no qual não é localizada com precisão,
pois apenas se diz
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contígua a uma casa que pertencia à igreja de Marvila.
Por todas estas indicações verificamos que as casas onde Cabral teria
vivido estariam situadas nas proximidades da igreja da Graça, ficando
apenas a difícil questão de interpretar se elas se situariam à direita
ou à esquerda da fachada dessa igreja, para a qual não foi possível ainda
encontrar um consenso interpretativo.
Cabral ainda teria, no fim da vida, terras num sítio denominado Malaqueijo,
nos arredores de Santarém.
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