
epois de ter avistado o Monte Pascoal em 22 de Abril de 1500, Pedro Álvares
Cabral fez avançar a armada, no dia seguinte, até pouco mais de 2 km da foz
do rio Frade. Lá, ficou ancorado por cerca das 10 horas e foram avistados
sete ou oito índios.
Depois de reunir o conselho de capitães, Cabral enviou à terra Nicolau
Coelho, para reconhecer as gentes que nela habitavam. O encontro que então
se realizou, com cerca de vinte autóctones que se encontravam na foz do
rio, não ocorreu nas melhores condições, devido à violenta ondulação que
ali se fazia sentir e por ser já tarde.
|
|
Depois de uma noite de mau tempo, Cabral decidiu, no dia seguinte, procurar
um ancoradouro mais abrigado.
Pelas 8 horas da manhã de 24 de Abril de 1500, a armada deixou o
ancoradouro frente à foz do rio Frade e rumou para o norte em busca de
um que fosse mais favorável do que aquele em que então se encontravam.
Ao entardecer desse dia, os navios da armada ancoraram na baía Cabrália,
local considerado ideal pelos pilotos que iam nas caravelas que seguiam na
vanguarda e mais próximo da costa, de forma a poderem sondar os fundos
junto à costa, e assim determinar a profundidade do mar e observar a costa
para ver se nela encontravam algum local abrigado e rio para fazerem aguada.
Calculando a distância de cerca de 10 léguas (59.000 metros)
percorridos nesse dia, pode-se verificar que a
armada
|
|
navegou durante umas
dez horas a uma velocidade média de cerca de 3 nós, enquanto chovia e o
vento era de sueste.
A armada ancorou a cerca de uma légua (5.920 metros) do recife da Coroa
Vermelha em onze braças (cerca de 19 metros).
O piloto Afonso Lopes, que foi num esquife (pequeno bote) sondar a fundura
das águas, na baía Cabrália, apanhou dois autóctones numa canoa, que foram
levados para a nau de Cabral. Este tentou interrogá-los sobre as riquezas
da região, sem obter resultados, pois eles não conseguiam naturalmente se
entender. Depois destes contatos, os dois índios dormiram a bordo.
Na manhã de 25 de abril, um sábado, Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias foram
à terra levar os dois índios, acompanhado por Pêro Vaz de Caminha e pelo
degradado
|
|
Afonso Ribeiro. Entretanto, as naus
maiores foram ancorar junto
dos navios menores. Os portugueses encontraram-se então com uns duzentos
índios e depois começaram a recolher água no rio Mutari.
Durante a tarde, Cabral desembarcou no recife da Coroa Vermelha, onde
esteve pouco tempo. No dia seguinte, domingo de Pascoela, Cabral e os
restantes capitães desembarcaram no mesmo local, para nesse dia, 26 de
abril, assistirem a uma missa que aí foi celebrada. Cabral reuniu os
capitães e decidiu enviar o navio dos mantimentos para dar notícia da nova
terra. Durante a tarde, Cabral e muitos outros elementos da tripulação
foram à terra para um novo encontro com os índios.
No dia 27 de abril continuou a confraternização entre indígenas e
portugueses. Diogo Dias e três degradados foram
|
|
visitar a aldeia dos
indígenas, enquanto mestre João Faras e
Pedro Escolar determinaram que a
latitude daquele local era de 17º Sul. Nesse dia, Cabral mandou dois
carpinteiros começar a preparar uma grande cruz de madeira que passaria a
assinalar aquele local. Tal trabalho levou algum tempo, pois tiveram de
escolher e cortar a árvore na margem esquerda do rio Mutari.
No dia 28 de abril trabalhou-se na cruz, enquanto se cortou lenha e
lavou-se a roupa e, no dia seguinte, distribuíram-se os alimentos de
reserva pelos navios. Sancho de Tovar foi à terra e trouxe dois índios
para bordo.
No dia 30 de abril, reforça-se a água e a lenha levada para bordo. No dia 1º
de maio, a cruz foi levada para a margem direita do rio, ficando junto da
sua foz. Procedeu-se, então, à realização da segunda missa. Em seguida,
os portugueses
|
|
embarcaram nos navios para continuar a sua viagem rumo à
Índia. Para trás ficava a primeira experiência de contatos e de um diálogo
civilizacional bem conhecido na costa brasileira, graças ao precioso testemunho
da
carta escrita por Pêro Vaz de Caminha.
O primeiro testemunho material que os portugueses deixavam nessa Terra de
Vera Cruz era uma cruz com as armas de Portugal, que ficava a assinalar a
boa aguada do Mutari.
|
|