iz o povo que, certa vez, o castelo de Belmonte foi cercado pelos mouros.
O alcaide, um antepassado de Pedro Álvares Cabral, conseguiu resistir com seus homens, assegurando a defesa do castelo.
Aconteceu, porém, que o inimigo se apoderou de um dos filhos do alcaide. Levando-o à frente do castelo, o inimigo diz:
- Ou entregas o castelo ou o teu filho vai ser esmagado numa prensa.
O alcaide chorou. Chorou, mas disse, convencido que faria desistir o inimigo de tal barbaridade:

- Se sois heróis e valentes, e se tendes vergonha na cara, assaltai vós o castelo. Lutai. Mostrai o que valeis. Mas contra guerreiros como vós. Vingar-vos numa criança é covardia.
E não entregou o castelo.
O inimigo fez questão de triturar o filho mesmo à sua vista. Mas a fidelidade do Cabral ao rei de quem era aquele castelo, continuou mantida e mais forte.
É assim que o povo explica a prensa que aparece em muitas pedras de brasão pela vila de Belmonte, e é por isso que se diz que os Cabrais estavam isentos de prestar homenagem ao rei. Bastava ser Cabral, e já o rei tinha a fidelidade assegurada.
A opinião dos heraldistas é de que a prensa que aparece nas pedras de armas espalhadas pela vila com a inscrição "Tudela passus" isto é, "esmagado na prensa", seria a empresa de

Castelo de Belmonte armas de Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares Cabral. Com esta empresa, Fernão Cabral queria mostrar, na verdade, a fidelidade ao rei, ainda que tivesse de ser esmagado.
Esta fidelidade foi expressa várias vezes na família Cabral. O pai de Fernão Cabral, Fernão Álvares Cabral, Guarda-Mor do Infante D. Henrique, morreu na defesa da vida de seu senhor.