PORTO SEGURO

Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede


Na noite de 23 de abril de 1500, choveu e ventou tanto que os pilotos aconselharam o Capitão Mor a conduzir as naus para um lugar mais abrigado. Pedro Álvares Cabral sabia ouvir os outros e dar valor a palavras sensatas. Por isso, logo ao amanhecer, mandou levantar âncoras e soltar velas. A armada partiu navegando para o Norte, ao longo da costa. Cerca de 10 léguas adiante, os navios menores, que iam à frente, depararm com um enorme recife e aquele porto com que sonham todos os navegadores quando se vêem em apuros.

- Eis um porto seguro! - exclamou o Capitão, feliz da vida.

Encostado à amurada, viu que o piloto Afonso Lopes ia, de bote, sondar a profundidade das águas e teve a certeza que ele faria um sinal para avançarem, que nenhum navio ia encalhar, que ali correria tudo bem. A imensa baía de areia branquíssima encaixada na orla do arvoredo, tão bela e acolhedora, transmitira-lhe segurança e enchera-lhe a cabeça de pensamentos positivos.
- Esta é a primeira armada que aqui procura abrigo, mas muitas outras virão e, quer corram à frente de uma tempestade já em pânico, quer naveguem debaixo de um sol impiedoso, a morrer de sede, quer se aproximem por acaso ou porque estava previsto, de madrugada, em pleno dia ou à noitinha, que surpresa, que maravilhosa e súbita sensação de segurança! Diante desta paisagem, a alegria dos marinheiros será sempre igual por todos os séculos dos séculos!
Quando mais tarde lhe perguntaram com que nome devia aquela terra figurar no mapa, não hesitou:
- Porto Seguro.