s resultados obtidos pela segunda armada enviada à Índia por D. Manuel, sob
o comando de Pedro Álvares Cabral, que regressou em 1501, levaram o rei a
indicar este capitão-mor para o comando de uma quarta armada com o mesmo
destino.
Em termos econômicos, Cabral conseguira obter benefícios consideráveis,
apesar dos pesados sacrifícios em vidas humanas e do naufrágio de numerosos
navios que comandara. Entretanto, Cabral permitira o descobrimento ou a
confirmação de terras no Atlântico Sul, que passaram a pertencer à Coroa
Portuguesa.
|
Além da pequena armada de quatro navios comandada por João da Nova, que
partira para a Índia em 1501, ainda antes do regresso dos navios de Cabral,
o rei D. Manuel decidira que a quarta armada, que seguiria para a Índia em
1502, deveria ser ainda mais importante que a de 1500, para poder superar
as adversidades que Cabral suportara em Calecut, onde não conseguiu
estabelecer feitoria e enfrentou a animosidade dos muçulmanos.
D. Manuel decidiu então que, para combater o poder mercantil estabelecido
pelos muçulmanos, deveria manter uma frota no oceano Índico que afetasse a
atividade dos mercadores muçulmanos, impedindo-os de levar para o Mar
Vermelho especiarias e outros produtos preciosos. Assim, depois de serem
escolhidos vinte navios para compor a armada de 1502, o rei decidiu que
cinco deles deveriam ficar na Ásia com tal missão.
|
|
Considerando que tais
navios deveriam ter um comando próprio desde a sua partida de Lisboa, o rei
decidiu entregá-lo a Vicente Sodré, tio de Vasco da Gama. Ao tomar tal
decisão, ele atribuiu grandes poderes a esse fidalgo, fazendo com que o
comando, na prática, acabasse por não depender de Pedro Álvares Cabral.
Perante tal situação, o capitão-mor sentiu-se desautorizado no seu papel de
chefe da armada, recusando-o. Para tal recusa também pode ter contribuído
alguma animosidade para com Vicente. Seja como for, D. Manuel aceitou-a,
talvez para afastar as pretensões de Cabral de ter o comando unificado
em suas mãos. O fato é que o rei recorreu, então, à decisão de que o
Almirante das Índias - Vasco da Gama - teria o direito de chefiar qualquer
armada que fosse para a Índia, como se pode ver em documento escrito pelo
rei em 2 de Outubro de 1501.
|
|
O fato de Cabral ter-se sentido ofendido com aquela separação de poderes
foi justificada pelo cronista João de Barros, que alegou que Cabral era
um "homem de muitos primores acerca de pontos de honra".
|
|
|
|