descobrimento do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama em 1498 abriu um vasto campo de atividades para os portugueses no Oriente.
Depois do regresso de Vasco da Gama a Portugal em 1499 o rei D. Manuel preparou uma segunda armada mais poderosa do que a anterior, com o objetivo muito concreto de estabelecer as bases de um comércio regular entre Portugal e a Índia.
Vasco da Gama demonstrara que o comércio das especiarias no Índico estava controlado pelos muçulmanos. Assim, se os cristãos europeus - principalmente os portugueses - desejassem participar nas atividades mercantis, seria necessário recorrer à força e assegurar

alianças com soberanos locais que se mostrassem cooperativos. Os muçulmanos tentariam, por todos os meios, impedir o acesso à tradicional Rota do Levante, que pelo Mar Vermelho e Golfo Pérsico, mantinham a prosperidade de várias comunidades islâmicas, sobretudo constituídas pelos árabes.
Pimenta O comércio das especiarias como a pimenta, a canela e o cravo, além de pedras preciosas e outros produtos valiosos para a alimentação e para a farmácia - que eram então de grande valor econômico - trouxeram grandes benefícios aos portugueses, que, assim, deram um contributo decisivo para o início da mundialização da economia e para o desenvolvimento do capitalismo comercial.

A armada

Desenho técnico de uma caravela O comando da armada para ir à Índia na viagem que seguiria a rota do Cabo da Boa Esperança - aberta por Vasco da Gama - foi entregue a Pedro Álvares.
A preparação começou em 1499 e foram reunidas 13 embarcações, a maior parte das quais maiores do que as usadas por Vasco da Gama. A maioria seriam naus, embora haja possibilidades de haver de uma a três caravelas.
Nesses navios embarcaram cerca de 1.300 a 1.500 homens, entre os quais se contava o escol da pilotagem portuguesa, com destaque para os pilotos que haviam sobrevivido à viagem de Vasco da Gama.

A viagem

A armada partiu do Restelo a 9 de Março de 1500. A viagem correu normalmente até às proximidades das ilhas de Cabo Verde, sem que houvesse necessidade de aí se proceder ao reabastecimento.A armada rumou então para ocidente de forma a apanhar os ventos favoráveis (alisados de sueste), que lhe permitiriam atingir o cabo da Boa Esperança, dando assim uma volta idêntica já traçada por Vasco da Gama.
No decorrer da viagem para o Atlântico Sul, um dos navios da armada perdeu-se misteriosamente. Talvez por ter algum rombo, pode ter enchido de água e afundado. Mas nenhum dos testemunhos presenciais da viagem que conhecemos assinala qualquer anomalia da navegação. O que é certo é que por motivos naturais ligados ao regime de ventos ou corrente marítima ou algum outro fator, a armada deslocou-se para uma

longitude muito mais ocidental do que aquela que tinha sido atingida por Vasco da Gama. Terra Brasilis, mapa que faz parte do Atlas Miller reportagem antropológica sobre os tupiniquins.
No dia 22 de Abril de 1500 era avistado aquele que foi batizado como Monte Pascoal, de uma terra que Pedro Álvares Cabral denominou Terra da Vera Cruz, e que D. Manuel decidiu chamar antes Terra de Santa Cruz. Era o Brasil, nome que acabaria por se impor por força da primeira riqueza natural que se encontrou nesse território, tal foi a importância que adquiriu o pau brasil (cor de brasa) durante os primeiros tempos da exploração do novo território.

É de salientar que os primeiros contatos conhecidos com os autóctones foram bastante amistosos, tendo causado estranheza aos portugueses o primitivismo dos seus modos de vida. A carta que então Pero Vaz de Caminha escreveu a D. Manuel constitui uma notável.
Os índios eram vistos pelos portugueses como seres entre os quais seria possível introduzir a civilização (tal como era vista pelos europeus) e o cristianismo.
Poucos anos depois, cerca de 1503 a 1505, um índio foi já representado em um dos painéis do retábulo da Sé de Viseu. O interesse pela representação destas figuras transparece ainda em numerosos mapas, nomeadamente no Atlas Miller de cerca de 1519.