a Idade Média o Atlântico para sul de Marrocos e para ocidente da Europa era visto como um Mar Tenebroso, que a imaginação de cristãos e muçulmanos povoava de monstros e de incertezas sobre o que nele se poderia encontrar. O medo de enfrentar esse mar desconhecido impediu durante muito tempo a sua exploração. Por outro lado, o tipo de economia européia da Idade Média não estimulou durante muito tempo tais explorações. As guerras na Europa também não propiciavam o investimento em explorações além-mar.
Nos meios culturais dominantes na Idade Média seguiam-se autoridades antigas que não acreditavam que existissem antípodas e geralmente admitia-se que as

elevadas temperaturas equatoriais impediriam a vida de homens ou a realização de navegações a baixas latitudes. Alguns escritores e artistas deram largas à fantasia e descreveram seres fantásticos, que habitariam em zonas incógnitas. Por tal motivo aceitou-se durante muito tempo que haveria seres humanos com uma só perna ou com cabeça de cão ou com cabeça situada no tórax. A crença neste maravilhoso fantástico situado em zonas da Terra distantes derivava dos homens desconhecerem a extensão e a diversidade do gênero humano.
Os europeus da Idade Média desconheciam a América e a maior parte da África e da Ásia, assim como os povos destes continentes desconheciam a Europa. As várias civilizações da terra viviam fechadas sobre si ou mantinham muito poucos contatos.

O medo de passar para lá do cabo Bojador, frente às ilhas Canárias, estava arraigado nas mentalidades dos europeus, fato que os impedia de conhecer a forma da África, levando muitas pessoas a aceitar a teoria de Ptolomeu, onde se admitia ser o Oceano Índico um mar fechado.
O desconhecimento da geografia do mundo e as crenças antigas em monstros e seres fabulosos foram ultrapassadas pela experiência dos portugueses que venceram os medos medievais e obtiveram o conhecimento da realidade da Terra.