O NASCIMENTO

Romanceado nos parâmetros da época

o castelo de Belmonte, lá longe em Portugal, ninguém dormia porque dona Isabel ia ter mais uma criança. O marido passeava para cá e para lá na sala de armas, de vez em quando parava para escutar. Não havendo novidade, retomava o passeio.


O filho tinha ido para a cozinha juntar-se aos criados e conversavam baixinho perto da chaminé onde a ama colocara duas enormes panelas de ferro para aquecer a água com que lavaria o recém-nascido.

Não chega nunca! Não chega nunca! – suspiravam pondo a cabeça a jeito, na ânsia de captarem o mínimo sinal de boas novas. – Não chega nunca!


Prolongou-se a espera até de madrugada mas quando o galo cantou anunciando um novo dia, ouviu-se barulho vindo do aposento principal, o choro vigoroso de quem respira pela primeira vez e a ama num alvoroço:

- É menino! Um lindo menino!

Estalaram então risos e frases soltas, o pai correu escada acima orgulhosíssimo, o filho e os criados atrás, todos à volta do berço, curiosos.

- Vai chamar-se Pedro...

Quem escolheu o nome? Não se sabe e também pouco importa.

No ano de 1467, ou de 1468, o alcaide-mor do castelo de Belmonte teve o segundo filho que foi batizado e registrado com o nome de Pedro Álvares Cabral.