![]() O APURAR DOS SENTIDOS Romanceado nos parâmetros da época Pedro era uma criança robusta, gulosa e risonha. Começou a andar muito cedo pelas salas do castelo de Belmonte, apoiando-se ora na superfície áspera das paredes de pedra, ora na superfície fofa das belas tapeçarias que as cobriam. Não lhe faltando o apetite, desenvolveu-se rapidamente e, era ainda bem pequeno, já
acompanhava o irmão e os primos
pelos trilhos da Serra da Estrela à procura de frutos silvestres.
Quando o tempo aquecia e
os campos se cobriam de flores amarelas, gostava de passear sozinho.
Inspirava com volúpia o cheiro forte das plantas bravias, exercitava os
músculos a correr e a subir às árvores. Agora quando a serra se cobria de
neve, preferia batalhar com os irmãos no pátio do castelo e então voavam
bolas para cá e para lá na maior algazarra. À noite é que era pior...
deitado no colchão de palha, muito encolhido entre mantas de lã,
ouvia os lobos a uivar ao longe. Ou seria perto? Mas fechava os olhos
pensando com força:
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