O REGRESSO À CASA

Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede


No regresso, os homens da armada de Cabral tiveram uma agradável surpresa: encontraram a caravela comandada por Diogo Dias, que todos julgavam afundada no Cabo da Boa Esperança. Afinal estava intacta, havia treze sobreviventes de mil aventuras no Índico e tinham descoberto outra terra que ainda não figurava nos mapas, uma ilha batizada com o nome de São Lourenço e que mais tarde se chamou Madagascar.
Felizes por se reencontrarem, zarparam para Lisboa mas o vento, teimoso como sempre, dispersou os navios, impedindo que chegassem juntos conforme desejavam.
Pedro Álvares Cabral entrou na barra do rio Tejo a 23 de julho de 1501. Tinha passado um ano e quatro meses em viagem, resistira a pavorosas tempestades, a investidas traiçoeiras, a doenças tropicais, a batalhas navais. Trazia os porões carregados de especiarias, sedas e outras preciosidades do Oriente. Trazia também informações animadoras sobre o futuro dos portugueses no Índico e os nomes de novos e poderosos aliados. Podia assim apresentar-se diante do rei D. Manuel I com a serenidade de quem cumpriu a sua missão. No entanto, ao passar a vista pelas margens verdejantes de onde lhe acenavam homens e mulheres ansiosos por notícias dos familiares embarcados, uma sombra de tristeza deve ter pesado sobre seu coração. Tantos companheiros desaparecidos... E tal como muitos outros antes dele e muitos outros depois dele, certamente se interrogou: "Valeu a pena?"

Provavelmente não encontrou logo as palavras certas para uma boa resposta. Em todo caso, certamente pensou que descobrir, conhecer, comunicar, tem o seu preço. E depois, por entre as muitas imagens que lhe cruzaram o espírito, fixou-se numa só: a imagem do mundo novo descoberto a ocidente, suave paragem a caminho da Índia, lugar semelhante às mais belas descrições do paraíso terrestre.
Se não fosse por mais nada, pela terra de Vera Cruz já teria valido a pena!



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