o evocarmos no ano 2000 os quinhentos anos do Descobrimento do Brasil,
podemos refletir sobre como tal realização um marco de decisiva
importância para a posteridade, pois foi ela que permitiu que erguesse
o maior país de expressão portuguesa.
Portugal, tendo iniciado a sua expansão na África em 1415, investiu muito
nesse continente ao longo dos séculos. Dos esforços então realizados
ficou um relacionamento vivo que se mantém em países onde as profundas
ligações estão atestadas em múltiplas construções e heranças de toda a
natureza, refletindo-se e
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expressando-se no fato de a língua portuguesa
ser a língua de unidade nacional nos atuais Estados de Cabo Verde, São
Tomé, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.
Na Ásia, onde o esforço dos portugueses foi mais persistente no século
XVI e inícios do século XVII, a construção de profundas relações com as
múltiplas comunidades de antiqüíssimas civilizações locais, traduziu-se
nas persistentes ligações mantidas com a Índia, sobretudo em áreas como
Goa, Damão e Diu, que devem a sua especificidade à aproximação luso-
indiana cultivada ao longo de muitos séculos. Também as ligações à
Cultura Portuguesa são muito vivas em terras tão distantes como Timor
e Macau.
O ano de 1999 revelou, quer em Portugal quer no Brasil, a realização de
esforços que se traduziram na criação do
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Estado de Timor-Leste, cuja
profundidade das raízes ao espaço lusófono e cristão permanecem bem
visíveis.
A presença multissecular em Macau, cidade criada pelos portugueses na
China em 1557, que só deixou de estar sob administração portuguesa em
dezembro de 1999, revela também como, nos mais diversos espaços, a marca
de cooperação dos portugueses com outras civilizações se verificou de
forma persistente.
Aquela que podemos considerar como a maior expressão da herança de um
processo tão importante para a História da Humanidade - a Expansão dos
Portugueses pelo Mundo - foi o fruto da viagem de Pedro Álvares Cabral,
a qual fez entrar o Brasil na História.
Passados cinco séculos de uma herança que é marca viva de uma História
comum, evocar o nome de Cabral é, pois, um dos sintomas mais vivos de uma
comunidade constituída por
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muitos milhões de pessoas com ramificações em
todos os continentes, mantendo bem viva e de forma prática a cultura e a
consciência da importância da língua e de passado comum. A cada uma das
pessoas dessa vasta comunidade lusófona cabe valorizar e beneficiar
plenamente com essa mais valia plena de potencialidades.
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