Max Justo Guedes e
Jorge Couto

fundação da feitoria permitiu o início do sistema regular de trocas
entre ameríndios e portugueses, denominado escambo. Os indígenas abatiam
as árvores, desbastavam-nas, descascavam-nas e transportavam as toras até
a feitoria.
Em troca de pau-brasil e de papagaios, recebiam instrumentos metálicos
(machados, facas, tesouras) e outros objetos (pentes, espelhos, manilhas
etc). Não tardou a aparecer a concorrência normanda, iniciada após a
viagem de Paulmier de Gonneville (1503-1505) que, com dois pilotos
portugueses, tentou a alcançar o Oriente, mas, por erro de


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navegação,
aterrou no sul do Brasil. Dali foi para o nordeste, onde carregou
pau-brasil, retornando à França. A partir de então, a costa brasileira
foi alvo dos interesses comerciais de armadores normandos e bretões.
O Livro da Nau Bretoa, documento referente ao navio que esteve fundeado
ao largo da feitoria do Cabo Frio entre o início de junho e o final de
julho de 1511, constitui excelente fonte para a compreensão das
peculiaridades do escambo, especialmente do ritmo de carregamento de
pau-brasil (5.008 toras) e de escravos (em número de 35), bem como de
papagaios, sagüis (pequenos macacos) e gatos maracajás.
A intensificação da presença francesa no Brasil e a chegada dos espanhóis
ao rio da Prata levaram D. Mauel a tomar, em 1516, diversas medidas,
entre elas a de transferir a feitoria para Igaraçu ("canoa grande"),
na costa pernambucana, e criar a
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armada de guarda-costas, cujo comando
confiou a Cristóvão Jacques, com a finalidade de patrulhar o litoral.
No mesmo ano, foi atacada a feitoria do Cabo Frio por caravela da
flotilha Castelhana de João de Solis, que regressava do Prata.
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