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CABRAL, O NAVEGADOR MUITO AMADO
Romanceado nos parâmetros da época
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações Camila Mamede
Depois de cumprir a missão que o rei lhe confiara, Pedro Álvares
Cabral não quis voltar a embarcar. Refletindo um pouco, logo se
conclui que procedeu bem pois um êxito estrondoso dificilmente se
repete. Ora, Cabral foi o primeiro navegador da História da
Humanidade a ligar quatro continentes numa única viagem. Enfrentou
os ânimos mais suaves e mais agressivos dos dois oceanos conhecidos
na época. Fortaleceu laços de amizade e fez pactos de comércio com
reis e rainhas do Oriente. E descobriu o Brasil. Tudo somado, chega
e sobra para encher uma vida.
Este bem sucedido viajante do rei casou com Dona Isabel de Castro,
senhora ilustre que descendia da família real portuguesa e da família
real castelhana. O casal teve seis filhos, dois rapazes e quatro meninas,
batizados com os nomes de Fernando, Antônio, Constança, Guiomar, Isabel
e Leonor.
Instalado em Santarém, Pedro Álvares Cabral foi sempre recebendo notícias
da linda terra que descobrira, afinal bem maior e mais rica do que se
pensava. E recompensas do rei D. Manuel I, à medida que ele compreendia
a verdadeira importância daquela descoberta.
O navegador repousa ao lado da mulher numa sepultura na Igreja de Nossa
Senhora da Graça, em Santarém. A sua face encontra-se esculpida em pedra
na parede do mais belo monumento português, o Mosteiro dos Jerônimos. Aí
se encontram também outros navegadores, mas olham em direções diferentes.
Vasco da Gama e os companheiros Paulo da Gama e Nicolau Coelho estão
virados para Oriente em memória da chegada à Índia. Pedro Álvares Cabral,
de sorriso discreto e elegante barbicha, olha para o lado oposto, para
Ocidente, para o Brasil.
Quinhentos anos após a sua viagem, continua a ser recordado com amor
entre dez milhões de portugueses e cento e sessenta milhões de
brasileiros.
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