O MÉTODO PAULO FREIRE
A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO: DA LIBERDADE À LIBERTAÇÃO
EDUCAÇÃO E POLÍTICA: A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA
DIZER A PALAVRA E TRANSFORMAR O MUNDO
O DIÁLOGO COMO PARADIGMA
FRASES
DIZER A PALAVRA E TRANSFORMAR O MUNDO


“Fui alfabetizado (...) com palavras do meu mundo, não do mundo maior dos meus pais. (...) Já homem, eu proponho isso! Ao nível da alfabetização de adultos, por exemplo.”
(in Sobre Educação - Freire, P. e Guimarães, S. 1982 p.14-15).

O quadro negro era o chão do quintal. Os gravetos o seu giz. As palavras que Paulo Freire aprendeu, quando criança, ensinadas por sua mãe debaixo das mangueiras, transformaram-se no mais legítimo instrumento de conscientização e transformação.
Foi um humanista, seu pensamento inspirou-se no personalismo de Emmanuel Mounier, bem como no existencialismo, na fenomenologia e no marxismo, sem, contudo, tornar-se mais um multiplicador e repetidor dessas doutrinas. Soube assimilar elementos fundamentais para incluí-los na sua concepção pedagógica.
Os textos de Paulo Freire unem correntes diferentes do humanismo e marxismo, conferindo-lhes pluralidade e fazendo com que um público mais numeroso tenha acesso à sua obra.

A escritora Rosiska Darcy de Oliveira e Pierre Dominicé observam que o pensamento de Freire corre o risco de servir a cada leitor segundo seus interesses.
É que a sua pedagogia acabou sendo revestida de uma expressão universal, uma vez que a relação oprimido-opressor que ele abordou ocorre universalmente e suas teorias se enriqueceram com as mais variadas experiências de grande parte do mundo.
Ao sul do Chile, por exemplo, seu método foi aplicado de forma bilíngüe por Izabel Hernández com os índios mapuche, que contam mais de 600 mil habitantes naquele país. Paulo Freire esteve em vários países da Europa, África, Ásia, América Latina, Estados Unidos e Canadá, aplicando seu método, promovendo consciência, libertação e transformação.





“O homem não pode participar ativamente na história, na sociedade, na transformação da realidade se não for ajudado a tomar consciência da realidade e da sua própria capacidade para a transformar. (...) Ninguém luta contra forças que não entende, cuja importância não meça, cujas formas e contornos não discirna; (...) Isto é verdade se se refere às forças da natureza (...) isto também é assim nas forças sociais (...). A realidade não pode ser modificada senão quando o homem descobre que é modificável e que ele o pode fazer.“
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987).

Em um país, como o Brasil, onde 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, a metade deste número concentrada em menos de 10% dos municípios do país, segundo o Mapa do Analfabetismo do Ministério da Educação, em 2003, em um mundo com mais de 875 milhões de analfabetos, mais da metade concentrada na África e na Ásia, a alfabetização como prática de inclusão social e transformação ainda é o caminho mais seguro para erradicar a miséria no planeta, notadamente nos países do Terceiro Mundo. Somente no Brasil, mais de 27 milhões de crianças vivem em situação de pobreza. É contra essas alarmantes estatísticas que a pedagogia de Paulo Freire se adianta, inserindo a palavra como símbolo de transformação e evolução. Outro mundo é possível.


“A educação como prática de liberdade, ao contrário daquela que é prática de dominação, implica na negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado no mundo, assim também na negação do mundo como uma realidade ausente nos homens.”
(Paulo Freire, Educação como prática da liberdade).
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