voltar para os resultados
Eu, Paulo Freire e as árvores
ENSINO MÉDIO
1º lugar:
Danilo Douglas Martins Barbosa.
Escola Estadual Francisco Campos
Dores do Indaiá - MG
Eu, Paulo Freire e as árvores
As árvores sempre atraíram Paulo Freire. Foram importantes em sua infância. Acredito que o são para todos que, de certa forma, gostam de descobertas pois as sombras que elas fazem, formam desenhos que permitem, à luz do dia ou no silêncio da noite, encontrar muitas coisas e imaginar outras tantas. É a criação.
Freire falava de sonho e luz que, para mim, se traduzem em conhecimentos, Ainda mais quando os professores trabalham as matérias com assuntos próximos da gente e procuram colocar nos conteúdos, as experiências que trazemos de casa. Afinal de contas, aprende-se mais e melhor quando o que é transmitido lhe é interessante e familiar.
Freire também se refere a céu azul e horizonte fundo. Eu, já falo em aprendizagem que é capaz de tornar o que parece inalcançável, bem mais próximo de ser atingido. Ele cita sobrevivência e existência. Eu, junto os dois e procuro na educação, o caminho para construir o hoje e desenhar o amanhã.
Se somos seres da transformação o que de melhor para melhorar essa característica do que aprender. Afinal, como já diz minha mãe, conhecimento não ocupa espaço e mesmo que assim o fizesse, a gente acabaria dando um jeito de arrumar mais um cantinho para ele. Estilo coração de mãe, sabe: sempre cabe mais um.
Paulo Freire citou também sua biblioteca de adulto que tinha algo dessas árvores. Talvez, a sombra da mangueira de sua infância. Pode ser que fosse a idéia de fruto, de vida, do processo de maturação, de flores, sementes. Questão de tempo e conquista. E isso realmente acontece conosco. Para mim, a imagem disso, é a jaboticabeira no quintal de casa: quando observamos, sem pressa, vemos nos troncos mais do que madeira, flores e jaboticabas. Há, naquele espaço, todo um ecossistema existindo ali, bem perto de nós, ensinando que no mundo tudo está relacionado, como se fosse uma enorme rede, o que poderíamos explicar também como sendo a própria comunicação, em diferentes formatos, é verdade, mas, de qualquer jeito, comunicação mesmo.
Voltando às árvores...com elas, você aprende que se escorregar, você cai. Percebe que é necessário tempo para que as flores se transformem em frutas o que, na educação, é o tempo que cada um tem de aprender. Com elas, se experimenta a solidão que é diferente de estar sozinho pois trata-se de sentimento e não de situação. Sentimento que, como Freire observa, mostra a necessidade da comunhão que, no caso das árvores, se reflete - é bem provável - pelas visitas de abelhas, dos pássaros, do vento. De certa maneira, movimento - basta olhar as folhas se movimentando.
Freire falava também em conhecer com o corpo todo, com sentimentos, paixão e razão também e dizia sobre uma certeza fundamental: a de que posso saber. Sendo assim, se entende que a educação não é algo separado do ser mas uma parte da própria pessoa assim como a história que nunca é passado. Isso porque não se fala de lembranças usando verbos no pretérito mas, sempre no presente: as lembranças que
tenho, eu
lembro... Também seja por isso que o saber, como Freire falava, está sempre sendo.
Outra questão é a liberdade. Um poeta já dizia que essa é uma palavra que todo mundo entende mas que ninguém sabe explicar. Em Paulo Freire, ela talvez se traduza pela abertura de possibilidades que o conhecimento proporciona e aí então, outra vez, surge a idéia de horizonte azul e fundo e voltam-se as velhas perguntas de quando se é criança: porque o céu é azul e as árvores são verdes?
Hoje, acho que posso responder. São dessas cores porque foram nomeadas assim mas são profundas, porque possuem vários significados. Isso se aprende quando se encontra nas palavras, os texto, os contextos e as significações. Mas ainda: interpretações. E esse caminho, é o conhecimento que mostra para gente. Caminho que também é um processo que a gente nomeia de aprendizagem. E as árvores? Bom, elas estão no percurso mostrando que o processo requer tempo, é constante e se faz, também, de descobertas. Basta olhar para elas.