
As grandes lições de Paulo Freire
Certo dia, o nosso Brasil foi agraciado com o nascimento de um menino, mais precisamente no dia 19 de setembro de 1921, e deram-lhe o nome de Paulo Reglus Neves Freire. Ninguém podia imaginar que um dia ele iria se tornar fenômeno internacional da Educação.
Muito cedo seus pais haviam lhe ensinado a leitura da palavra, em uma humilde casa sob a sombra de algumas mangueiras que ficavam na Estrada do Encantado, 724, no bairro da Casa Amarela, em Pernambuco. Desde muito cedo o menino franzino, mostrava grande interesse pela leitura e aos seis anos ingressou na escola, já alfabetizado. Como as dificuldades eram muitas, dar continuidade aos estudos somente através de batalhas e lutas suas e de sua mãe, pois seu pai já havia falecido.
Os anos foram passando e Paulo percebia que o povo estava sendo destinado à exclusão, ou seja, a margem da participação e do conhecimento, transformando-se em mera massa de manobra, sim, massa de manobra, pois era conveniente para os órgãos governamentais manter o povo na ignorância, para assim, poderem fazer com o povo e com o que é do povo aquilo que bem entendessem, em dar satisfações nem serem criticados, mesmo porque o povo assim não se dá conta do que está acontecendo.
Paulo Freire tinha muita amorosidade com as pessoas e não podia se calar diante de tanta injustiça e barbaridades que via acontecer. Então ele dá início a inúmeros trabalhos, projetos, movimentos, conferências populares e sempre com a preocupação voltada para a inclusão social, do jardim de infância até a educação de adultos, com o objetivo de desenvolver currículos e a formação de professores.
A partir do desenvolvimento de seus projetos é que se começou a falar no “Sistema Paulo Freire”, que podia ser aplicado em todos os níveis da educação.
Em 1958 foi realizado o 2º. Congresso Nacional de Educação de Adultos, onde Paulo Freire teve uma marcante participação. Esse congresso abriu as portas para o problema da alfabetização de Adultos, dirigido por Paulo Freire e extinto pelo golpe de Estado de 1964.
Somente após 1970 a teoria e a prática pedagógica de Paulo Freire tornaram-se reconhecidas no Mundo.
Infelizmente nem sempre seus projetos foram interpretados satisfatoriamente, pois já em 1964, ele estava ciente das dificuldades e dos custos políticos envolvidos em seu programa pedagógico. Paulo Freire sempre estava atento às armadilhas e aos obstáculos, que claramente se voltavam ao mais famoso educador brasileiro e, mesmo atento, conduziram-no a interromper suas práticas que eram de suma relevância ao povo brasileiro.
Exilado de seu país, ele foi acolhido em países estrangeiros, os mais diversos, onde pôde dar continuidade aos seus projetos revolucionários em prol ao povo oprimido. Encarcerado duas vezes, por causa de sua metodologia transformadora, não desanimou e com sua segunda chance, vinte e cinco anos depois, Paulo Freire teve de “reaprender” seu país e enfrentou novamente os mesmos dilemas e obstáculos.
Hoje, grande parte das teorias de Paulo Freire são aplicadas na Escola Estadual de Educação Básica Cruzeiro, na qual, aos meus 45 anos de idade, estudo na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde em cada totalidade aprendemos grandes lições, porque os educadores trabalham conosco, onde aproveitamos o nosso conhecimento já adquirido através da vivência, com o conhecimento do educador e mais cada campo do saber. Fazemos muitas pesquisas, dos mais diversos assuntos e a cada final de trabalho socializamos no grande grupo. A cada socialização, mais grandes lições para cada educando.
Paulo Freire queria uma educação transformadora, na qual o educando pudesse conhecer-se como sujeito, bem como se inteirar das relações sociais e políticas. Posso dizer que esta metodologia está implantada na nossa escola, pois nós educandos que lá estudamos realmente nos sentimos transformados, criamos um olhar mais amplo e crítico sobre qualquer situação social, comunitária e familiar, vimos que também podemos nos expressar, interagir, colocando nossa opinião própria.
Por ser uma educanda da EJA, sinto-me realizada, pois só lá pude concretizar o meu sonho, que é voltar a estudar, apenas lamento que ao concluir neste corrente ano o Ensino Médio, terei que parar de estudar, pois na minha cidade não existe uma universidade gratuita.
Sinto-me feliz e gratificada em poder usufruir, aqui, no Sul do Brasil, de tão grande e valioso “Método Paulo Freire”, fico a pensar de como seria a história da Educação de Jovens e Adultos e a alfabetização em geral se não tivesse ocorrido a ditadura, talvez a educação estaria a caminhar a passos largos ao invés de engatinhar tão lentamente. E como esta metodologia perpassa décadas e décadas, ainda podemos constatar que não é governamental.
Hoje em pleno século XXI percebe-se com clareza a luta que os educadores precisam enfrentar para por em prática o grande “Método Paulo Freire.”