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Paulo Freire: Educação para a Transformação

ALFABETIZADOR
2º lugar:
Ide Carneiro Rodrigues Alves da Silva.
Cesec- Récio de Souza Ribeiro
Raul Soares -MG

Paulo Freire: Educação para a Transformação

É sabido que as dificuldades impostas por uma vida pobre e sofrida, não impediram que Paulo Freire, o maior educador brasileiro de todos os tempos, fosse reconhecido pelos organismos internacionais como a personalidade do século XX. Desde muito cedo permitiu que a leitura do mundo que o rodeava, do quintal de casa, entre bichos, avencas e mangueiras, se fizesse presente em sua vida. Ele deixa claro em seu livro, a importância do ato de ler, que a leitura do mundo que nos rodeia é fundamental para que o letramento aconteça.

Quando a uma criança é permitido saborear os livros de literatura, o nome dos objetos, brinquedos que fazem parte de sua vida, sem qualquer formalidade e pressão, com o prazer simplesmente de tocá-los, de conhecê-los, ”lê-los”, a leitura e a escrita chegarão de mansinho, aconchegante e sábia, sem ser percebida e, quando a percebemos ela está ali, presente, fluindo da boca e principalmente do coração destas crianças.
Através de Paulo Freire pudemos perceber, e sentir, como é mágico o processo da leitura e da escrita.

Ensinar não é transferir conhecimento, é preciso que ”o corpo humano vire corpo consciente, captador, aprendedor, transformador, criador de beleza e não “espaço” vazio a ser preenchido por conteúdos.” As palavras que faltam a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem.

Personalidade do século, Freire, seria aquele que poderia oferecer novos rumos à educação de jovens e adultos para o século XXI ou o novo milênio, inspirada nos””quatro pilares básicos da educação do futuro” que são eles: aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos.

Diante de dados estatísticos alarmantes e preocupantes, referente ao número de adultos analfabetos e milhões de crianças que nunca forma a escola e outros que já a abandonaram, Freire não mediu esforços para combater um dos sintomas dos grandes males da humanidade, a globalização. O mundo vive numa crise de identidade decorrente deste processo globalizante. Segundo especialistas ele é a “alternativa pedida” para iluminar hoje outras frentes. Sua preocupação com o homem contemporâneo é muito grande, pois na condição de consumidor, estava perdendo o direito de ser cidadão.

A produção teórica e a ação prática causaram e causam grande impacto em âmbito mundial. A sua concepção é mais atual do que nunca, por partir do mais especifico, do mais local para o geral, para o mundial.

Sua obra tem uma herança de valor incomparável para educação, porque ele foi um homem que amou, que dedicou toda sua vida refletindo e escrevendo para defender os atormentados e os oprimidos. Para ele é necessário compreender a vida e a existência humana para a busca do conhecimento e acima de tudo, amá-las.

Na filosofia educacional de Paulo Freire dois aspectos são fundamentais: o diálogo e a conscientização. O dialogo consiste na integração dos indivíduos de forma coerente e harmoniosa pois “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho; os homens se libertam em comunhão.”

O papel do educador é dialogar com seu aluno, acreditar na sua capacidade, no seu poder de criar, de transformar, para poder renascer. É a sua luta por sua libertação. O aluno nunca está pronto, acabado ele vai se fazendo durante toda vida na busca de ser mais, se completando e ajudando os outros a se completarem.

Freire diz ainda, que o professor deve ser capaz de ensinar, mas também de aprender com as experiências que os alunos trazem para a sala de aula.

É preciso que o professor tenha consciência de que não sabe tudo, e que o aluno não ignora tudo; e por isso acreditava no diálogo para transformar os homens, para educá-los. Em seu livro Pedagogia da Indignação ele narra sobre a morte do índio Pataxó, Galdino Jesus dos Santos, que foi queimado vivo por cinco adolescentes de classe média de Brasília em 1997, e que ao serem interrogados pela policia disseram que estavam brincando. “Que coisa estranha, brincar de matar índio, de matar gente(...) não é possível refazer este país, democratizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho e inviabilizando o amor.”

Esta passagem nos faz lembrar o maior mestre da humanidade, Jesus, que diz”Amarás o Senhor com todas as forcas de tua alma, e a teu próximo com a ti mesmo”. Aqui resume toda educação do amor descrita por Freire.

Percebe-se que “muita gente fala, mas não se comunica. Muita gente ouve o que se fala mas não entende; muita gente lê, mas não compreende o que esta escrito. Muitas pessoas vivem reunidas mas não unidas – elas não se comunicam. Para nos comunicarmos precisamos de palavras escritas e faladas, de máquinas, mas sobretudo, do desejo de nos entendermos. Só a educação é capaz de transformar as pessoas, mudar um lugar, melhorar as condições de vida. Quem não é alfabetizado vê o mundo com dois olhos; quem lê e interpreta vê com quatro, muitas vezes até, sendo portador de necessidade especiais.
A Educação vai muito alem dos currículos ensinados na escola. Engloba aprendizado da vida, vivência, atitude, mudança de comportamento, transformação.

Ela deve estar presente no trânsito, no respeito as leis, no meio ambiente, na vida profissional, no tratamento que se dá as pessoas e as coisas. É preciso a educação do amor. Freire se preocupou com tudo isto, em seus 25 livros. Deixou aos educadores uma ampla visão do que é a educação e coma fazer a diferença.
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