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UNIVERSIDADE E COMPROMISSO POPULAR – PUC-CAMP – II – CAMPINS 25 DE MARÇO DE 1987 – TRANSCRIÇÃO DO SEMINÁRIO COORDENADO PELO PROF. PAULO FREIRE

APRESENTAÇÃO DO TEMA

Maria Soares

Quanto ao texto que está sendo distribuído,é preciso dizer que é um recorte de uma transcrição de dezenove páginas, portanto, pode estar um pouco desconexo, mas a linha central parece fácil de ser captada, está inclusive sublinhada.

Com relação às duas perguntas, é importante que cada um se inclua enquanto aluno ou enquanto professor ou enquanto diretor, que veja concretamente o que está fazendo, ou poderá fazer, ou po­derá propor que seja feito.

Vocês acham bom fazer uma leitura em conjunto antes da divisão em grupos?

Paulo Freire

Eu vou ler...

"Creio que á fundamental entender criticamente o que queremos dizer quando falamos no processo de a Universidade se aproximar das classes populares. Fundamentalmente aproximar-se aqui significa compromisso de classe, significa estar a serviço dos interesses populares. No aproximar-se não existe um "sine qua" geográfico, físico. O que quero dizer é que uma Universidade pode revelar um sério empenho em favor dos interesses populares, no campo da pesquisa, por exemplo, sem estar indo à periferia da cidade. Por outro lado, pode estar constantemente mandando seus professores às áreas populares de forma tão paternalista, tão burocraticamente cumpridora de prazos para estágio, que só distorcidamente se pode dizer de la que se aproxima do povo.

A Universidade, no fundo, tem de girar em torno de duas preocupações fundamentais, de que se derivam outras, e que tem que ver com o ciclo do conhecimento. Este, por sua vez, tem apenas dois momentos que se relacionam permanentemente: um é o momento em que conhecemos o conhecimento existente, produzido; outro, o em que produzimos o novo conhecimento. Ainda que insista na impossibilidade de separarmos mecanicamente um momento do outro, ainda que enfatize que são momentos de um mesmo ciclo, me parece importante salientar que o morto em que conhecemos o conhecimento existen­te é preponderantemente o da docência, o de ensi­nar e aprender, e o outro, o da produção do novo conhecimento, é preponderantemente o da pesquisa. Na verdade, porém, toda docência implica pesquisa e toda pesquisa implica docência. não há docência verdadeira em cujo processo não se encontre a pesquisa como pergunta, corno indagação, como curio­sidade, criatividade, assim como não há pesquisa em cujo andamento necessariamente não se aprenda, porque se conhece.

O papel da Universidade, seja ela progres­sista ou conservadora, é viver, com seriedade, os momentos deste ciclo.

Não tenho dúvida nenhuma de que quando pen­samos em termos críticos, em Universidade e Povo, de modo algum estamos admitindo que a Universida­de deva fechar as portas a qualquer preocupação rigorosa que deva ter com relação à pesquisa e à docência. Não faz parte da natureza de sua rela­ção ou de seu compromisso com as classes popula­res a sua falta de rigor, sua incompetência. O que se quer é diminuir a distância entre a Universidade o que se faz nela e as classes populares, mas sem a perda da seriedade e do rigor. Sem ne­gligenciar diante do dever de ensinar. Em torno da Universidade progressista e Povo,tendo em vista os dois momentos do ciclo de conhecimento e a responsabilidade que deve ter a Universidade em face deles, quero dizer que as classes populares tem dois direitos básicos: o-direito de conhecer melhor o que já sabem, em razão de sua própria prática, e o direito de participar, de algum modo, do de produção do conhecimento novo.

O direito de conhecer melhor o que já sabem tem que ver com a escola pública mais competente, mais eficiente, quer dizer, tem que ver com uma séria educação popular pondo-se em prática, ao nível das crianças e dos adultos. Tem que ver com campa­nhas concretas de alfabetização de adultos,que não fiquem girando era torno dos ba-be-bi-bo-bu. Conhe­cer melhor implica, na verdade, que as classes po­pulares vão ultrapassando o saber apenas de "expe­riência feito'", ultrapassando o saber ao nível do senso comum. Professores e estudantes de uma Uni­versidade progressista têm aí um campo enorme de trabalho em que as atividades a realizar em nada sacrificam a rigorosidade acadêmica, pelo contrá­rio, ampliam os horizontes de quem nelas se envolve.”

Acho que o texto está excelente, até o final do ano estará pronto o texto inteiro, mas nessas páginas acredito que este conteúdo está completo. Agora, a Maria elaborou duas questões: 1º) O que é compromisso popular? Em que momento da sua atividade docente/discente você se acha comprometendo-se? 2º) A Universidade existe em função do ensinamento do conhecimento elaborado e da produção do conhecimento. Como nós, da PUCCAMP, nos situamos nesses dois momentos?

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